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terça-feira, 1 de abril de 2025
Rock Gol 2008
quinta-feira, 20 de março de 2025
Campeonato de Skate
quarta-feira, 19 de março de 2025
Wall Of Death (W.O.D.)
Parte da música Slaughter Of Savior da banda de Thrash Metal Old School Wall Of Death (W.O.D.).
Festival Virada Cultural na Praia do Amapá, Rio Branco/AC.
O áudio não está bom, mas dá pra entender alguma coisa....
Allan Cunha (Bateria)
João Acácio (Baixo)
Wanderson (Guitarra)
Frank Wenderson (Vocal)
YouTube do Allan Cunha S.
segunda-feira, 17 de março de 2025
Extremo Norte Festival
terça-feira, 11 de março de 2025
Outros lados da chamada Revolução Acreana
Outros lados da chamada Revolução Acreana
Todos os anos nos deparamos com grandes festas
realizadas pelo governo do estado do Acre em comemoração à Revolução Acreana.
Andando no centro da cidade podemos ver à nossa volta monumentos erguidos
homenageando os grandes heróis e pontos turísticos que fazem alusão à
Revolução. Também existe a inserção deste tema em diferentes manifestações
artísticas e na política.
Oficialmente, em 6 de agosto de 1902, na cidade de
Xapuri, se deu o inicio da Revolução. Comandada por Plácido de Castro,
ex-militar gaúcho que quando visitava o Amazonas, foi convidado para organizar
um exército de bravos homens que viriam a conquistar o Território do Acre.
Segundo o historiador Marcos Vinícius, “Enquanto o
exército acreano lutava com arma de caça, o exército boliviano lutava com armas
de guerra”. Munidos apenas com suas espingardas, mas com forte sentimento
patriótico, foram os bravos soldados lutar contra as Forças Regulares
Bolivianas, fortemente armadas.
Em 24 de janeiro de 1903, Puerto Alonso foi invadida e
tomada pelos brasileiros, passando a se chamar Porto Acre e a partir daí sendo
declarado o Estado Independente do Acre.
Somente em 17 de novembro de 1903, através do Tratado
de Petrópolis, uma negociação intermediada por Rio Branco, na época Ministro
das Relações Exteriores, resolveu o impasse com a Bolívia. Posteriormente em 08
de setembro de 1909, com o Tratado do Rio de Janeiro foi resolvido o problema
com o Peru e surgiu o Território Federal do Acre, passando oficialmente a fazer
parte do Brasil. Somente em 1962 o Acre deixa de ser território e é elevado à
categoria de estado.
Esta é a versão que vemos nas escolas do Acre e pelos
pontos turísticos espalhados pelas cidades do estado, com heróis, bravos homens
e a luta para que estas terras se tornassem estado. Mas que tal agora partirmos
para outra visão dessa história? O que dizem nossos vizinhos Bolivianos e
documentos da época, que estão na Bolivia e também (em sua maioria) no Brasil?
Será que teria realmente sido uma Revolução? Plácido de Castro foi um herói?
Está no Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa que a
palavra Revolução seria:
“(...)
toda mudança repentina e radical das instituições fundamentais do Estado ou da
sociedade, realizada pela força; processo social complexo pelo qual se operam
uma descontinuidade e uma mudança da tradição cultural e uma recomposição das
camadas sociais, que são desintegradas e, em seguida reintegradas segundo novo
tipo de estratificação.
(1989, p. 1.351)
E ainda no dicionário de Sociologia:
“(...)
uma mudança social que altera aspectos básicos de uma sociedade ou outro
sistema social (...) Para que a mudança política seja revolucionária o próprio
sistema político tem de passar por alguma mudança básica, como a aristocracia
para a democracia ou da democracia para a ditadura militar.”
(1997, p. 199)
Na época da revolução, quase que em sua totalidade, a
população acreana era composta de seringueiros, vindos em sua grande maioria do
nordeste, seduzidos por propostas tentadoras de enriquecimento. Mas se for
comparada a vida destas pessoas antes e depois da Revolução, em que mudou? Em
nada! Continuou o mesmo sistema de aviamento imposto aos trabalhadores nos
seringais, que perdurou ainda durante décadas, portanto, não foi uma Revolução,
mas sim, um conflito armado, uma guerra e só mudou quem seria o personagem que
iria escravizar os seringueiros.
Por conta disso, a partir daqui vamos começar a nos referir à Revolução Acreana por “Questão do Acre”, como já vem sendo chamada a algum tempo por historiadores para melhor discutirmos usando uma terminologia mais adequada.
Embora as delimitações de fronteiras não estivessem
bem definidas, esta região já era reconhecida como sendo da Bolívia, porém
habitada por brasileiros que estavam na região com o intuito de fazer a
extração do látex. Com o surgimento e crescimento da indústria automobilística,
houve um grande salto nas exportações da matéria prima que era usada para a fabricação
de pneus, a borracha.
Extraída por brasileiros, a borracha do Acre era
escoada de barco para Manaus e Pará, de lá sendo exportada para o mundo.
Em
Preocupados e pensando numa forma de ganhar mais
dinheiro com a extensão de terra onde na época mais se produzia borracha em
todo o planeta, surge a idéia de se criar o chamado Bolivian Syndicate, que
consistia no arrendamento do Acre para que empresas de capital privado
explorarem a matéria prima, deixando 60% dos lucros com a Bolívia. A proposta
foi feita ao Brasil, que não deu importância, achando que não daria certo. A
partir do momento em que investidores norte-americanos e ingleses começaram a
demonstrar interesse, embaixadores brasileiros começaram a soltar boatos que
pudessem assustar os investidores, como “desgraças naturais, índios
carniceiros, doenças incuráveis e outras coisas” (Batista, 2007, p. 04). Com as
ações do Bolivian Syndicate, que valiam cerca de um milhão de libras esterlinas
em baixa, o Brasil acabou comprando todas por apenas 50 mil.
Quando Plácido de Castro dizia, num discurso patrioticamente
forte (que merda!), estar defendendo o Acre da invasão capitalista
norte-americana, o Brasil já havia comprado todo o Bolivian Syndicate (foi com
a criação do Bolivian Syndicate que surgiu o grande pretexto para a guerra dos
brasileiros contra a Bolívia).
Este grande herói acreano, na verdade, recebeu uma boa
quantia em dinheiro para vir cuidar da Questão do Acre, portanto, foi um
mercenário. Patrocinado pelo governo do Amazonas, recrutou seringueiros à
força, ou sob promessa de recompensas, que nunca foram pagas. Com os
seringalistas, os mais interessados na Questão do Acre, ficaram as altas
patentes militares.
Plácido de Castro com seu exército de seringueiros,
atacaram Puerto Alonso e expulsaram os bolivianos de lá.
Por fim, em janeiro de 1903, o governo brasileiro
enviou tropas para o Acre afim de evitar novos conflitos e resolver a questão
de forma diplomática: o Barão do Rio Branco enviou uma carta com um ultimato,
avisando que haviam 50 mil brasileiros das Forças Armadas do Brasil, prontos
para invadir
A Bolívia tinha recentemente saído de uma guerra
contra o Chile, onde tinha perdido milhares de homens, estava com uma economia
fraca e militarmente vulnerável. Com isso, perdeu o interesse pelo Acre.
Em 17 de novembro de 1903, após o término da
pseudo-Revolução Acreana os dois países assinam o Tratado de Petrópolis. O
governo brasileiro compromete-se a pagar 2 milhões de libras esterlinas e a
construir a estrada de ferro Madeira-Mamoré, e a Bolívia renuncia a seus direitos
sobre o Acre. Os 2 milhões nunca foram pagos, e a estrada de ferro, sequer no
projeto iria até a Bolívia. Seria “(...) como se eu tivesse uma divida (...),
comprasse um aparelho de som no mesmo valor da divida e lhe dissesse: 'Eu
paguei aquela divida com um aparelho de som. Esta lá
Fica claro que desde o inicio, sempre pairou pela
selva acreana, a lógica inescrupulosa do lucro, da dominação do homem pelo o
homem e destruição da natureza em um ritmo frenético de desmatamento e
destruição. A presença de trabalhadores em regime de semi-escravidão nas mãos
dos seringalistas, sua presença de forma involuntária no “Exército da Revolução”,
a tomada de Puerto Alonso para acabar com a cobrança de impostos, e por fim, a
compra do território que nunca foi pago.
Mas esta não é uma totalidade dos fatos. Muitos
conflitos aconteceram em varias partes da floresta, com bolivianos e índios.
Nestas histórias ocultas, dezenas de povos inteiros de indigenas foram
dizimados. Houveram muitos genocídios na mata. E as mulheres e crianças? Onde
estavam? A produção da borracha não podia parar! É necessário que se revele
outras histórias que estão por trás dos falsos heróis.
Por Ricardo*
*Ex-bebo do Mercado Velho que por ser impossibilitado
de ser bebo do centro por causa de uma "higienização do centro da
cidade", foi empurrado à periferia, juntamente com as varias dezenas de
pessoas que trabalhavam no local.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025
CaranaRock-RB 2025
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025
!!! (...) #4