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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Politechnical Subway Research #3 (tradução)

 


Politechnical Subway Research #3, maio de 1988.
Este Zine foi editado por Karsten Wolf (da cidade Waldenbuch) e Uwe Kolitsch (de Aichwald), da Alemanha Ocidental. Neste época a Alemanha ainda era separada. Acho que a reunificação foi no comecinho dos anos 90.

Nesta edição:
- Boy Dirt Car (banda)
- The Ex (banda)
- Schwefel (banda)
- Vagtazo Halottkemek (banda)
- Heinrich Mucken (disco)
- Um ist um (sobre U. Morawetz) (livro)
- Schmelz dahin (filme)
- Resenhas de Música/banda e de Zines/Livros





Tradução
Feito em  maio de 1988, este zine era vendido em várias moedas. São elas:
- 3 DM  são 3 Marcos Alemães, que era a moeda da Alemanha Ocidental na época. (DM é o "Deutsche Mark").
- 2 Dólares Americanos
- 45 öS é "Österreichischer Schilling", moeda Austríaca
- 2.200 Liras Italianas
- 2,50 sfrs são 2,50 Francos Suíços
- 60 bfrs("Belgische Frank", Franco Belga)
- 10 ffrs é o Franc Français, Franco Francês
- 1 brit.£ é a Libra Esterlina Britânica, "British Pound"


Contatos:
Karsten Wolf
Bussardweg 12
9035 Waldenbuch
W-Germany

Uwe Kolitsch
Ahornweg 10
7307 Aichwald 1
W-Germany



Colaboradores:
Günther Dienelt
Frank Ketterl
Mr. Banana Stgt

Cooperadores:
Ingo/Datra/Sumpla
Todos os anunciantes e aqueles que me são desconhecidos pelo nome.

Arte/Design Gráfico
K. Wolf (contracapa)
Heinrich Mucken (veja o artigo)
Darren Broown (veja o artigo Dirt Car Artikel)


Geral

Introdução/Coluna em Inglês (Página 3)

Música
- Boy Dirt Car (Página 6)
- The Ex (Página 6)
- Printed at Bismarck's death (Página  8)
- Schwefel (Página 11)
- Vagtazo Halottkemek (Página 12)
- Lärm - Festival Strukktur (Página 13)

Apresentação Multimídia
- Heinrich Mucken (Página 15)
- Survival Research Laboratories (Página 18)

Literatura
- Um ist um (sobre U. Morawetz) (Página 20)

Filme
- Schmelz dahin (Página 24)

Resenhas
-  Música (Página 25)
-  Fanzines/Livros (Página 29)

Caro(a) Leitor(a),
Sem me demorar muito com explicações formais, como, por exemplo, uma explicação para o formato menor, gostaria de anunciar que o cronograma de publicação regular do P S R não poderá mais ser mantido. Na minha opinião, tanto a qualidade quanto o conteúdo desta publicação sofrem com esta pressão de tempo. Assim, as futuras edições do P S R só serão publicadas em intervalos irregulares.

Em termos de conteúdo, eu me concentrarei, pela minha parte, principalmente em grupos interdisciplinares, ou seja, multimídia, ou em outros projetos não necessariamente ligados à música (esta edição já dá um indício disso). O material das entrevistas em si deverá ser mais aprofundado e detalhado, o que, por sua vez, exigirá mais tempo de preparação, em suma: simplesmente mais tempo.

Além disso, em breve estarei produzindo uma cassette sampler [fita cassete de compilação], cuja publicação também levará algum tempo. No entanto, será definitivamente um produto de boa qualidade, com material suplementar detalhado e também de boa qualidade. Musicalmente, provavelmente estarão representados muitos dos que já foram mencionados nas revistas FSR e, claro, outros também. Em geral, os grupos para este projeto serão escolhidos por mim, mas os grupos interessados em participar podem entrar em contato comigo. No entanto, não dou garantia de que todo material enviado será publicado. Isso pode soar arrogante, mas há simplesmente muitos produtos ruins ou clichês.

Aqueles que assinaram nossa revista, é claro, receberão as edições seguintes, mesmo com a publicação irregular. Caso contrário, quando uma nova edição for lançada, a informação será veiculada por meio de anúncios. Quem quiser ter certeza, também pode me enviar porte de retorno [um selo ou dinheiro para o custo do envio de volta], e será informado automaticamente no momento da publicação. Ainda sobre assuntos próprios: A primeira edição do PSR está esgotada, mas ainda há alguns exemplares da segunda (3 DM incluindo o porte). Conteúdo: Entrevistas com Controlled Bleeding, Eugene Chadbourne e Christian Death e, claro, o habitual... Além disso, aquela edição ainda era no belo formato papel A 4.

Podemos continuar a distribuir datas de shows para organizadores, mesmo com a publicação irregular. Da mesma forma, toda a Mídia de Áudio enviada será resenhada na edição seguinte, e este tipo de material não perde a sua relevância [atualidade].

Anunciantes são, naturalmente, igualmente bem-vindos – Preços sob consulta.

Assim, as coisas mais importantes foram, na verdade, ditas.
"Kassi"


Caros leitores de língua inglesa: 
Certo, desta vez vou levar um pouco mais de tempo para informar vocês. Em primeiro lugar, como vocês já viram, o tamanho da revista encolheu, mas ela ganhou mais páginas. Bem, fizemos isso porque é mais barato de produzir e mais fácil de enviar pelo correio.

Desta vez, apresentamos um artigo sobre "Heinrich Mucken", um grupo de artistas (12, para ser exato) que trabalham de forma multimídia. O principal objetivo deles é envolver o ambiente em suas performances e sua música. Há muito tempo, eles lançaram algumas fitas cassetes que imagino não estarem mais disponíveis (mas tente procurar) e um EP documentário que foi gravado ao longo de um ano. Uma música é relacionada a cada estação (portanto, são quatro músicas). A lista de performances deles é bastante longa; recentemente se apresentaram no "Einblicke-Ausblicke" e no ano passado na "documenta 8". As performances de Mucken são sempre fortemente baseadas em um fator de tempo e espaço. Por isso, são frequentemente performances que duram muitos dias, em lugares diferentes. Permitam-me descrever brevemente a performance deles "Heinrichtungen", que aconteceu no centro da cidade de Bielefeld durante o "Bielefelder Sommertreff".

O início da performance foi um concerto na praça por uma orquestra de bateria, que foi seguido por uma instalação do local: Por cerca de 15 minutos, as faixas pavimentadas em preto foram varridas. Depois disso, membros de Heinrich Mucken, vestidos com formas geométricas, caminharam pela praça durante um ritmo de bateria monótono. Após 45 minutos, eles tiraram as formas e começaram a instalar o cenário de uma sala de estar. Isso foi acompanhado por sons de pios. Três betoneiras cheias de vidro e metal criaram um ruído enorme. A ação era sempre interrompida por pequenos "concertos". Outros membros do grupo liam textos sobre "arte e cultura" (de Nitzsche e Mao Zedong), pintavam a sala de estar de amarelo e faziam movimentos semelhantes, acompanhados por sons de pios. A performance se tornou cada vez mais caótica; slides eram produzidos em uma cama, um garoto tocava acordeão na sala de estar, e Mucken começou a serrar uma banheira. Ventiladores caminhavam pela praça e a instalação da sala de estar foi destruída. Após a performance, o grupo explicou que queria mostrar seus pensamentos sobre arte e cultura, e queria especialmente apontar a mudança constante das coisas.

Outra reportagem na revista é sobre o "Noise Structure Festival" que aconteceu em Stuttgart, Alemanha. Eu só quero mencionar as bandas que se apresentaram: Chrome, One System, Schwefel, Oil Blow, The Blech, Z'ev, Anne Clark, Space Cowboys, Bourbonese Qualk, The Grief, Controlled Bleeding e Laibach. A música variava de noise extremo (Oil Blow, The Grief) a música bastante dançante (Space Cowboys, Schwefel), de Jazz (tipo The Blech) a Industrial (Z'ev, Controlled Bleeding) a "música tipo Swans" (Bourbonese Qualk). Fizemos uma entrevista com Schwefel para esta edição da revista, que é bem divertida de ler, mas não tão interessante a ponto de eu querer falar muito sobre ela. A propósito: Schwefel é o homem que transformou o Glamrock no século 21. Ele usa guitarra, bateria extremamente rápida e faz muito barulho estranho e dançante (um pouco parecido com Foetus). Ele tem 2 EPs lançados e algumas fitas cassetes. Peça através de: Amigo/Mirko Krüger, Wienerstr. 21, 1 Berlim 36, W-Germany.

Em seguida, publicamos uma entrevista com The Ex, uma banda da cena squatter holandesa, que faz um noise-rock pesado e orientado para a guitarra, de alguma forma parecido com o Sonic Youth. A conversa foi sobre tópicos políticos, turnês independentes, o negócio do Rock (o Ex o odeia, assim como nós) e outros assuntos. Certamente há um bom artigo sobre eles em uma revista inglesa. 

Temos um artigo sobre o "Survival Research Laboratories". Preciso dizer mais? Bem, toda boa revista deve ter tido um artigo sobre eles publicado pelo menos uma vez. 

Bem, como tenho orgulho da minha cena local, fizemos uma entrevista com "Printed at Bismarck's Death", mas não que esses caras não fossem bons: eles são ótimos. O primeiro LP deles era rítmico (não disco), às vezes melancólico, e um material muito criativo/inovador. Difícil de ser comparado a qualquer coisa. O show deles que vi há alguns dias/semanas estava ainda melhor, mais coeso e mais pesado. Eles fizeram uma performance relacionada às obras de Arthur Rimbaud. O material novo que ouvi recentemente (será lançado em breve em um vinil de 12'') é mais calmo e influenciado pelo clássico. Mantenho minha afirmação de que soa como se "Hafler Trio" e "Nurse with Wound" estivessem interpretando juntos as obras de "Stravinsky". Talvez um pouco parecido com "Controlled Bleeding" (eu sei que eles não ficarão felizes em ler isso), mas, como sempre, é difícil de comparar e descrever. A entrevista foi sobre suas influências literárias (eles são fortemente influenciados por quase toda a literatura) e diferentes tópicos filosóficos e artísticos/estéticos. Se você quiser pedir um disco ou escrever para eles sobre qualquer coisa: Aqui está o endereço: Heiko Mutert, An der Bracke 44, 7145 Markgröningen, W-Germany. 

Certo, por fim, alguns lançamentos que recebemos: Há algumas fitas cassetes interessantes da Nekrophile-Records, Tonspur-Tapes, Irre-Tapes e Prion-Tapes, principalmente compilações, que sempre valem a pena ouvir. Verifiquem o catálogo de distribuição desses selos (endereço no Índice). "Strafe für Rebellion" lançou um novo disco, feito como um drama. Está disponível na 235 e é melhor você conferir por conta própria. É tudo, menos chato. "Minus Delta T" lançou a ópera que eles performaram na "documenta 8" em um conjunto de 3 LPs. Eu ainda não a recebi, mas não duvido que seja certamente brilhante. Mais sobre isso na próxima vez.

Ok, é o suficiente por agora. Se tiverem alguma dúvida, etc., não hesitem em entrar em contato conosco. Se quiserem contribuir, por favor, nos informem primeiro o tema sobre o qual desejam escrever antes de enviar os manuscritos. Tchau.

Kassi

Ah, eu quase esqueci de mencionar algumas novas publicações em inglês: Uma é a feverish magazine. Brilhantemente feita, contendo artigos sobre: The Hater8, Club Moral, Death in June, Zero Kama... etc.
Outra é "Gemischtes" (Mistura/Diversos). É uma documentação sobre o trabalho do grupo de performance "Synthetisches Mischgewebe" (Tecido Misto Sintético), com descrições (em inglês) das suas performances (e fotos).

Endereços:
- The Feverish, R. Kasseckert, Am Haselbusch 56, 4130 Moers 2, W-Germany.
- Synth. Mischgewebe/Guido Hübner/ Nogatstr. 57, 1 Berlim 44, W-Germany.


A ARTE É UMA LONGA TRADIÇÃO DA NOSSA CULTURA. ELA EXISTE HÁ MUITO TEMPO PARA SER IGNORADA. ALGUMA MÚSICA PODE SER ANTI-ARTE, A NOSSA NÃO É. MUITA ARTE NÃO ME INTERESSA, MAS ESTÁ LÁ SE OUTROS A QUISEREM/PRECISAREM.

Boy Dirt Car

"Boy Dirt Car": Um nome que não me dizia absolutamente nada há cerca de 6 meses, até o dia em que troquei alguns exemplares do PSR pelo LP deles. Boy Dirt Car é provocação barulhenta. No sentido mais amplo, é Música Industrial, gerada por microfonias extremas, sintetizadores estrondosos e pedais de efeito, bem como percussão de aço ocasional. A música deles (se deve ser chamada de barulho, fica a critério da definição pessoal de música. No futuro, ao contrário da minha resenha do LP deles, eu gostaria de me abster do termo "barulho") é sempre baseada em elementos minimalistas, de eletrônica mínima, com um toque arcaico.
Quando ouvida em volume alto, Boy Dirt Car desenvolve uma confrontação física com o ouvinte. Uma parede sonora composta por ruídos duros e desagradáveis. Recentemente, eles lançaram um Split LP com F/i pela RRRecords. Talvez se possa compará-los um pouco a este grupo; no entanto, enquanto F/i ainda se baseia mais na "Tradição do Rock", Boy Dirt Car é mais niilista, livre, extremo e, no fundo, representa mais um ataque do que uma música.
Quem agora supõe que o grupo se trata de "pornógrafos profanos da violência industrial" (eles existem, aos montes) está enganado: Boy Dirt Car processa imagens de humor, tem passagens muito melancólicas, depressivas e "morbosamente belas" em sua música, mas estabelece um forte contraponto através de microfonia áspera, que logo depois é transformado em um elemento mais harmonioso. Os vocais, se houver, afogam-se em espectros sonoros de distorção intensa.
Fortemente impressionado pelo LP "Winter", decidi realizar uma entrevista por carta com Darren Brown, que, junto com E. Lunde, forma o Boy Dirt Car. Entrevistas por correio têm suas desvantagens, mas Darren Brown se dedicou tanto a responder às minhas perguntas que nem sequer foi necessária uma segunda carta (pelo menos para dar uma visão geral da obra e das intenções do grupo).
Em conexão direta com Boy Dirt Car, deve-se mencionar também a "Artweather Communications". AC foi criada como um ponto de comunicação para BDC e E. Llunde/Darren Brown. Através da AC são vendidas produções de BDC, bem como gráficos, impressões, etc., dos dois membros. Além disso, a AC também é um contato para a banda de Hardcore "Die Kreuzen".
Nas gravações, BDC inclui também outras pessoas; no LP "Winter", sete pessoas trabalharam. O próprio Darren Brown é técnico de iluminação, Road Manager e técnico de backline em bandas de rock americanas. Ele trabalha, entre outras, com: "The Violent Femmes", "10000 Maniacs" e "The Mercy Seat".
E. Lunde trabalha no "Milwaukee, Wisconsin Performing Arts Center". Os projetos do grupo "Boy Dirt Car" se financiam em grande parte por conta própria; nas produções, o Selo RRR também arca com uma parte dos custos.
Em março/abril, o grupo empreendeu uma pequena turnê na Costa Oeste [dos EUA] junto com "Die Kreuzen", com quem são amigos. A turnê ocorreu sob o nome "Westweather-tour". Darren comenta sobre a turnê: A maior parte dos shows foram shows de "hardcore" (por causa do Die Kreuzen). Por isso, eles foram particularmente interessantes para o Boy Dirt Car, pois o público nunca havia tido contato com Industrial. Foi, portanto, uma nova experiência. As reações também foram, como as performances do BDC, extremas: ou extremamente positivas, ou extremamente negativas. Darren valoriza mais as reações fortemente emocionais. Quanto mais extremas, melhor, pois o confronto deve ser direto.
Darren não tem medo de reações violentas do público (o primeiro show deles terminou assim: Estudantes de arte chocados tentaram atacar e espancar Darren, o que não chegou a acontecer. Darren diz que isso seria uma prova de que a sua arte é mais forte do que a deles). Ele considera suas possibilidades de "armas" no palco mais eficazes do que as do público. É importante para o BDC alcançar um novo público e confrontá-lo com a sua música.
Ao contrário de muitos outros grupos extremos, as apresentações ao vivo são um componente importante do BDC desde a sua formação. "A música é uma forma de comunicação. Seja comunicação em duas direções (Banda/Público) ou em muitas direções (Rádio, etc.). O BDC tenta desenvolver um sistema que possibilite uma 'comunicação' que vá além do uso de palavras simples." Eles se inspiram em seus sonhos, seu mundo e ambiente, sua vida, suas experiências cotidianas e, claro, nos problemas e conflitos que surgem com isso. Eles praticamente não possuem formação musical formal.
As letras (em parte uma espécie de poemas, que são lidos no fundo da música) são quase inaudíveis devido à sua distorção. Pelo que se pode entender, elas são muito depressivas e/ou parcialmente violentas. Sobre as letras, Darren não explica nada, apenas que elas.





Para o grupo, tanto escrever quanto gravar são importantes. Eles também são artisticamente ativos em muitas outras áreas, mas a pintura é mais difícil de documentar do que a literatura e a música (livros e discos).
Justamente os "problemas de definição" de arte e também de estética impõem uma pergunta ao Boy Dirt Car: Como vocês veem a arte, e vocês se considerariam anti-arte?
"A Arte é uma tradição de longa data da nossa cultura. Ela existe há muito tempo para ser ignorada. Pode haver música que seja anti-arte, a nossa não é. Muitos tipos de arte não me interessam, mas eles estão lá se outros os quiserem/precisarem." Música difícil (experimental, Industrial) está ganhando um público cada vez maior com o tempo. Vocês acham possível que essa música se comercialize, e como vocês julgam essa tendência?
Darren opina sobre isso: Essa evolução se processa muito, muito lentamente, o que se deve ao "perfil baixo" dos artistas envolvidos. Como grandes gravadoras e estações de rádio quase não demonstram interesse por essa música, ela permanece muito, muito forte no Underground nos EUA. No entanto, essa falta de interesse é boa, pois nenhuma pressão é exercida sobre o artista para que ele se desenvolva em função de seus desejos/necessidades e possibilidades.
Os grupos mais conhecidos então levam seu estilo a um público maior. Exemplo: De "percussão...

...industrial de metal" do menos conhecido Z'ev aos conhecidos "Neubauten", aos SPK "moderninhos/pop" e até Skinny Puppy. E o Skinny Puppy leva então o seu industrial disco sangrento e sampleado para as discotecas e clubes dos EUA. Uma parte da música Industrial já é comercial, mas é muito...

...improvável que, por exemplo, alguém como Z'ev algum dia venha a ter sucesso comercial (e que também o queira!).
Para finalizar, as influências e simpatias pessoais por outros artistas. Há muitos artistas desconhecidos que Darren aprecia, e entre os mais conhecidos: Jack Kerouac, Brion Gysin, Jackson Pollock, William S. Burroughs.

Discographie:
- Cassette,"Fracture"(Korm Flastics)
- Cassette, "Catalyst"(Korm Plastics)
- Cassette, "Ghostshirt"(Korm Plastics)
- Split LP mit F/i (RRRecords)
- LP, "Winter" (RRRecords)

BOY DIRT CAR
P.0. Box 376
Columbia, MO 65205 USA

"Falar é prata, calar é ouro": Este provérbio pode até ter a sua validade, especialmente quando se trata de descrever a música de uma banda em textos monótonos, mais ou menos sem significado, mas aqui ele parece estar fora de lugar. O motivo desta violação de velhos ditados populares e frases feitas é, como o título já mostra, THE EX.
Uma banda, ou talvez, melhor dizendo, um projeto político-cultural, que, no fundo, representa algo que raramente existe ou é procurado nos dias de hoje: o protótipo de uma banda que surge porque vários indivíduos têm algo a dizer e querem se comunicar.
Os The Ex são difíceis de caracterizar, mas se for o caso, a descrição que melhor se encaixa talvez seja a de pensadores políticos radicais que não se limitam apenas ao pensamento. Com cabeças quase raspadas e vestidos com o típico "Parka da Revolução", nós os encontramos em Schorndorf, onde eles nos receberam para a entrevista, infelizmente com um atraso de duas horas.
Na sua turnê europeia (na Alemanha, deram apenas 2 concertos), eles foram acompanhados pela banda inglesa "Chumbawamba". Esta também é fortemente política, como os "The Ex", mas musicalmente orientada para Folk/Punk/Rock. Anteriormente, nos shows deles, havia sempre, pelo que sei, interlúdios teatrais. Eles não fazem mais isso, mas grande parte das músicas é mantida em forma de diálogo entre vocalista e cantora. 
A forma de diálogo também pode ser encontrada na música do THE EX, embora de resto seja fortemente contrastante. A música de guitarra muito experimental do THE EX mostra fortes paralelos com outras bandas políticas holandesas, especialmente de Amsterdã, como Svätsox ou Morzelpronk, que provavelmente não são desconhecidas para os amantes de música de guitarra bizarra.
"Como é que surge esta afinidade sonora entre estas bandas? Vocês acham que têm uma forte influência na cena musical de Amsterdã?" 
EX: "Eu não creio que seja nossa influência. Todas as bandas que você mencionou são amigas na vida privada, mais um circulo de amigos; é claro que se trocam muitas ideias entre si." 
A afinidade sonora, no entanto, não se encontra apenas na Holanda; também do outro lado do grande oceano, encontram-se essas guitarras rasgantes e estrondosas e baterias febrilmente frenéticas (aliás: The Ex tem uma baterista mulher). Para citar apenas alguns exemplos: Victims Family, Phantom Tollbooth, Live Skull e ocasionalmente Sonic Youth. Mas The Ex tem menos simpatia por essa relação estrangeira do que pelos músicos holandeses.
No entanto, é justamente a relação com os conhecidos holandeses que impõe a pergunta: Por que fazer uma turnê justamente com "Chumbawamba", se Morzelpronk mora logo ali na esquina? (Ligeira alteração do provérbio "por que ir tão longe em busca..." ou, alternativamente, pode-se mencionar as corujas de Atenas).

EX: "Os Chumbawamba também são bons amigos, eles têm opiniões políticas semelhantes às nossas. Nós também fizemos turnê com eles pela Inglaterra. Além disso, não é como se uma das bandas fosse a atração de abertura e a outra a principal (Top Act). Se hoje os Chumbawamba tocam primeiro, amanhã serão os The Ex!"
Nisso se vê novamente a importância que a mensagem tem para as bandas. Um LP não é acompanhado apenas pela folha de letras habitual e detalhada, mas sim por um jornal inteiro (A Piece of Paper), no qual THE EX informa e toma posição sobre temas que consideram importantes. Automaticamente penso em "Crass", que trabalhavam de forma semelhante, e pergunto: Que valor a música realmente ocupa em uma banda que é tão orientada para a mensagem?
Dito de outra forma... Existe algo que THE EX expressa em sua música que não é expresso em palavras (ou seja, letras)?
EX: "Não é como se fizéssemos a letra e depois tocássemos uma música qualquer junto. A música deve, assim como a letra, expressar uma espécie de revolução. Não deve se afogar no cenário rock conservador, mas sim expressar algo novo, individual, autônomo." 
É justamente em declarações como essa que se reconhece a aversão, o ódio que THE EX tem pelo cenário rock capitalista/comercial. O lema deles é NÃO-LUCRATIVO (NON-PROFIT) e é surpreendente os preços pelos quais THE EX consegue vender seus discos.
EX: "Nós os vendemos pelo custo de produção absoluto, mas conseguimos produzir de forma barata."
Você conhece alguém que tem um estúdio alternativo e te faz um bom preço, você conhece alguém que tem uma gráfica e te ajuda com as capas, você tem contatos com uma fábrica de prensagem... você simplesmente tem custos mínimos quando tem contatos!"
P.S.R.: Quantos discos vocês conseguem vender, mais ou menos? 
EX: Cerca de 6.000 a 8.000 cópias com o novo LP.
A relação deles com a imprensa musical conservadora também é dividida. Eles relutam em dar entrevistas e, para revistas grandes e orientadas para o lucro, não dão de jeito nenhum.
EX: "Nós fazemos as coisas por conta própria e apoiamos pessoas que fazem as coisas por conta própria. Pessoas como vocês, por exemplo. Mas não queremos dar entrevistas a revistas que as fazem apenas para impulsionar suas vendas. Na Holanda, é claro, temos bom controle sobre isso, mas no exterior precisamos ser mais cautelosos, pois não conhecemos bem as pessoas e as revistas."
Eles me contaram mais tarde que, até agora, deram apenas 4 ou 5 entrevistas na turnê.
Todas estas declarações lembram fortemente a atitude original do "PUNK". Mas antes que eu pudesse pensar em como formular a pergunta que me vinha à mente da maneira mais elegante, ela simplesmente me escapou de forma grosseira e direta, e sem rodeios eu me ouvi perguntar: "Vocês são Punks?"
EX: "O que significa Punk? Nós temos a atitude que o Punk tinha originalmente, mas hoje há tantas pessoas diferentes que eu não gostaria de dizer um 'Sim' sem restrições!"


Voltamos mais uma vez à ideia e função do jornal anexo (que, a propósito, também estava pendurado nas paredes da sala de concertos). 
EX: "Para nós, era importante abordar temas sobre os quais não se reporta bem e em detalhe nos jornais oficiais, pelo menos na Holanda. Por exemplo, o caso da Nicarágua." 
Numa faixa do THE EX, há uma reportagem de rádio do assassinato de Kennedy tocada em loop no fundo. E então se encontra a imagem de um atirador inclinado com um rifle para fora de um grande carro americano com placa americana. Este trailer tem algo a ver com o assassinato de Kennedy? Deve simbolizar algo nessa direção? 
EX: "Não, na verdade não tem nada a ver com isso; mostra mais a "América". O Carro Grande, o cara... um pouco de tiro (risos)..."
Eu estava começando a me sentir um pouco ignorante. Não que eu me considerasse careta, mas eu estava naquele concerto principalmente porque gostava das guitarras experimentais e construtivas do THE EX. E o resto do público? Bem, algumas pessoas estavam lá por curiosidade. Havia muitos Punks presentes, certamente muitas pessoas que vieram por causa, e talvez apenas por causa, das letras, e depois havia pessoas como nós; pessoas que curtem guitarras excêntricas e afins.
P.S.R.: Qual é o sentimento de vocês em relação às pessoas que vêm por causa da música?
EX: "Achamos que está tudo bem, é claro que depende da atitude básica dessas pessoas, mas se forem receptivas, não temos nada contra."
P.S.R.: Há outros artistas, que não são músicos, com quem vocês gostariam de colaborar, que expressem algo semelhante a vocês? 
EX: "Eu, na verdade, não gostaria de dividir entre artista e não-artista. O que importa é a atitude dessas pessoas, e não se são artistas ou não. Especialmente quando 'artista' não significa, no fundo, nada mais do que comportamento elitista. É tão importante ter alguém que saiba cozinhar bem (por exemplo), quanto ter alguém que, digamos, saiba desenhar bem."
O THE EX não vinha à Alemanha há seis anos; eles não sabem quando voltam. Mas já estiveram em turnê algumas vezes. Entre outros lugares, tocaram na Polônia. 
EX: "Não é tão difícil tocar lá. É preciso uma agência que organize a turnê, e então é claro que não se deve necessariamente contar às autoridades sobre o que se trata o conteúdo. Mas aí tudo corre bem. As pessoas na Polônia ficaram muito interessadas."

P.S.R.: Vocês já tiveram problemas por causa das suas letras? 
EX: "Na Holanda, ainda não. Lá as pessoas são relativamente tolerantes, e nos deixam em paz, pelo menos. Mas na fronteira francesa apreenderam discos nossos. Pouco depois, na fronteira suíça:"
No momento, THE EX sobrevive da assistência social (sozialhilfe); eles estão desempregados e não lamentam isso. Eles não podem viver da música, porque produzem conscientemente tudo apenas a preço de custo.
P.S.R.: O que o futuro lhes reserva? O que vocês querem alcançar com THE EX?
EX: "O futuro? Não posso dizer. Num dia é de um jeito, e no outro é diferente. Continuaremos a tocar juntos como THE EX enquanto for interessante para nós. Quando deixar de ser interessante, faremos outra coisa. Mas não planejamos isso, porque THE EX ainda é muito interessante para nós!"
A entrevista, na verdade, deveria ter terminado. Vieram mais algumas perguntas banais, sobre discos, etc. (No total, THE EX participou de 30 a 35 discos/Compilações/Split Singles...).
Até que Uwe, curioso e, como sempre, totalmente sério, do...

...fundo [da sala] pergunta: "Que música vocês ouvem quando estão apaixonados?"
O THE EX fica um tanto confuso: "Ãh, essa pergunta não faz sentido." "Claro que faz, foi uma pergunta séria." Após uma breve discussão sobre o sentido ou o disparate da questão, uma pessoa alheia à situação alivia o clima constrangedor: "Como é que vocês vieram a trabalhar com Chumbawamba?"
THE EX: "Bem, estávamos apaixonados e..." 
Chega de perguntas. O THE EX ainda pede que seja fornecido o seu endereço, para que as pessoas que tenham mais perguntas possam contatá-los diretamente, pois isso é melhor do que as "palavras finais" carregadas de significado. Aqui está o endereço:

THE EX
P.0.B0OX 635
1000 AP AMSTERDAM
NETHERLANDS

Formalmente, é preciso dizer ainda que, na entrevista, todos os membros da banda estavam presentes, exceto a baterista. As perguntas foram feitas por Kassi e Uwe, apoiados pelo "Gastarbeiter" Frittes. Além disso, alguns moradores de Schorndorf assistiam, assim como nosso fotógrafo recém-adquirido.
Caso alguém espere que eu ainda me pronuncie sobre a música: é mais sensato simplesmente ouvir os discos deles, pois a descrição provavelmente não fará justiça aos sons. Mas... se porventura alguém tiver a sorte de assistir ao THE EX ao vivo, deve aproveitar a oportunidade. Quem sabe quantas vezes se terá essa chance!

Discografia:
- 2LP,"Blueprints for a blackout" (Pig Brother Prod.)
- 12","Gonna rob the spermbank" (Sneeeleer Rec.)
- 4 EP,"Dignity of labour"(VGZ Rec.)
- LP,"History what's happening"(More
- Flexi EP, split mit: Svätsox,"villa zuid moet blijven"
- LP,"Pokkeherrie",(Pockabilly)
- Split-Cassette mit Svätsox(Calypso)
- Split LP mit Morzelpronk und Zowie 50,"Support the miners strike"(Recagainst thaatchism)
- Split 7" mit Awara,"Enough is enough"(Gramschap)
- 2 EP,"the spanish revolution"
- Comp.LP mit 3 Johns,Eton Crop etc. (Enemies of State)

Sem pretensão de ser completa.


Impresso na Morte de Bismarck

Antes da noite, uma tempestade fez o firmamento desaparecer, 
O orvalho das florestas escorreu em areias puras, 
Os ventos de Deus cuspiram granizo nas poças, 
No choro, vi ouro — e não pude beber. 

( Arthur Rimbaud )

Esta entrevista surgiu, na verdade, mais ou menos por acaso. Um acaso que consistiu no fato de eu, ocasionalmente, comprar discos por causa de sua apresentação interessante. E a esse grupo pertencia também aquele LP PBD. Na capa, uma obra de Tintoretto; na contracapa, "À la recherche du temps perdu" [Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust]. As letras, além disso, cheias de referências e alusões literárias. A música no LP: eletrônica, mas não dançável, talvez ocasionalmente lembrando um pouco SPK. (Admito, esta afirmação não é muito esclarecedora). Uma faixa lembra um minueto.
Marcamos, então, um encontro nos primeiros dias de Janeiro com o PBD para esta entrevista esclarecedora. Estavam presentes todos os músicos do PBD, mais um acompanhante/simpatizante, bem como Kassi, Petra e Uwe. Devido à atmosfera barulhenta do pub, as vozes na fita da entrevista não puderam ser distinguidas, por isso as perguntas são identificadas apenas com PSR e as respostas apenas com PBD (confuso?).
Surpreendente (e notavelmente melhor do que o material lançado no LP) foi a performance deles "Alchimies du son" em 21.02.88 em Stgt (Stuttgart). Apenas uma faixa do LP deles, muita Eletrônica Pesada, vocais "wagnerianos", feedbacks de guitarra estridentes e efeitos.
A voz de Martin me lembrou muito (talvez eu esteja imaginando) a de John Balance [Coil] naquela apresentação. E, já que estou fazendo comparações: o novo material do PBD tem uma atmosfera como se "Nurse with Wound" e "Hafler Trio" estivessem interpretando Stravinsky.

Referência literária em sua apresentação, provavelmente principalmente "Arthur Rimbaud". 
A formação é:

- Heiko Mutert: Sintetizador, Guitarra, Samples, Drum Performances 
- Rüdiger Frank: Sintetizador, 2ª Voz, Drum Performances
- Martin Schmidt: 1ª Voz, Guitarra, Sintetizador

Endereço para Contato/Contact-Adress:
Heiko Mutert 
An der Bracke 44 
7145 Markgröningen 
W-Germany


P.S.R.: O que os inspira tanto na música quanto nas letras? Na capa há muitas alusões à literatura, e nas letras também.
PBD: Bem, o que inspira alguém assim... 
P.S.R.: Talvez Joy Division? 
PBD: Não, quer dizer, eu nem conheço nada de Joy Division. Acho que o grupo mais importante que nos influenciou é o Bauhaus. Principalmente no estilo de cantar. Embora eu agora tente não copiar mais o Peter Murphy e tenha o meu próprio estilo, a influência do Bauhaus ainda se manifesta muito em mim. O que mais foi importante: Cabaret Voltaire, Birthday Party... talvez SPK, ou nas coisas novas, nas colagens sonoras, Diamanda Galas, e claro, também música clássica, música Dadaísta, Clássica de Vanguarda, mas também clássica como Beethoven. Portanto, há bastantes influências por aí. Música sacra também, é claro. E com a literatura é assim, que as diferentes formas de arte sempre se influenciam mutuamente. É claro que há muitas referências literárias; o disco inteiro consiste praticamente em referências literárias. Eu simplesmente acho importante que não apenas existam textos próprios, que também podem ser chamados de literatura, mas também referências a outras literaturas.
P.S.R.: "You are many" foi escrito por vocês mesmos ou é de outra pessoa?
PBD: É de Georg Herwegh, o "Lied für den allgemeinen Deutschen Arbeiterverein" [Canção para a Associação Geral dos Trabalhadores Alemães], uma canção que surgiu no movimento socialista do século passado, no movimento de luta dos trabalhadores. Pensamos em apresentar a obra num novo formato. É uma das canções mais antigas e ficou talvez um pouco pop demais. Na verdade, nem se encaixa no disco.
P.S.R.: Há também "Excelsior Drowning" no disco, que tem uma letra sobre a África do Sul, sendo bastante política. Vocês se consideram uma banda política? 
PBD: Essa música também é bem antiga. No início, todas as letras eram bem políticas, mas com o tempo eu mudei mais para letras psicopolíticas ou existencialistas, mas o momento político sempre se manifesta.


P.S.R.: Como devemos entender a frase "One is waiting behind the mirror on his robe the badge of KGB" [Um está esperando atrás do espelho, em seu manto, o distintivo da KGB]?
PBD: Deve simplesmente mostrar este dilema: ou a África do Sul se afasta cada vez mais em direção à América, ou cada vez mais em direção a Angola, que é fortemente controlada pela Rússia. O KGB é para mim o símbolo do imperialismo russo, assim como a CIA é para o americano, e eles precisam ter o mesmo cuidado com ambos.
P.S.R.: Qual é a importância das letras em relação à música para vocês?
PBD: Eu acho que isso varia de música para música. Em algumas músicas, a letra é mais importante; em outras, a música é mais importante. É algo em torno de 50/50.
PBD: É preciso também diferenciar o que entendemos por música. É a expressão, o humor/atmosfera. No disco ainda não era tão extremo, pois era bastante convencional, mas nas coisas novas e mais extremas... Agora faremos mais coisas no estilo colagem, inclusive nas apresentações. Na nossa próxima apresentação, queremos fazer uma espécie de viagem ao subconsciente — o que muitos grupos já tentaram, mas nenhum conseguiu de verdade. Nós vamos tentar também.
P.S.R.: Então isso já está indo na direção da Performance?
PBD: Sim, também inclui muitas referências a coisas clássicas, coisas étnicas e coisas ameríndias. P.S.R.: Vocês falam muito de música clássica. Vocês têm alguma formação musical formal?
PBD (hesitam/enrolam): A formação musical formal está entre 0 e 8 anos de acordeão... (Resumo do digitador: ninguém pode me pedir para formular a fala original).
PBD: O problema é que, se você tem uma formação musical, você se acostuma com os esquemas e constrói suas músicas a partir deles. Seja em termos de tonalidade, seja em termos de outras regras... Aí é que está o verdadeiro problema de ainda fazer a música que você quer, que te oferece o que você busca.
PBD: Também depende de como se vê a música. Se você a vê como Criatividade ou como Formalidade. Se você a vê como Formalidade, então você precisa da formação musical para transmitir o que quer. Se você vê a música como Criatividade, então você, na verdade, não precisa dessa formação.
P.S.R.: Então vocês querem se tornar ainda mais livres? 
PBD: Eu diria mais espontâneos. 
P.S.R.: Quão espontâneas as músicas surgem em vocês?
PBD: Muito espontâneo. Na verdade, não há ensaios específicos. Quando fazemos música, tentamos transmitir as impressões que temos no momento. Seja num piano, numa guitarra ou num keyboard.
PBD: E, claro, mais tarde, isso é mais elaborado. Aí não é mais uma questão de espontaneidade, mas sim...

...simplesmente a consideração do que pode ou não se encaixar agora. "PS-31", por exemplo, tem a história de origem mais perversa de todas. Nós tiramos daí a canção DaDa absoluta. Um ritmo foi inserido no drum machine, e a cada instrumento individual no computador de bateria foi atribuída uma nota no sintetizador. Em seguida, atribuímos notas aleatoriamente aos instrumentos, desligamos o drum machine e deixamos apenas o programa de sequenciamento do sintetizador rodar. Com a letra, procedemos de forma semelhante.
P.S.R.: O que significa "Hdovn"?
PBD: Isso é grego antigo e significa Felicidade/Prazer/Alegria. E então as opiniões se dividem. Para alguns, os Hedonistas da escola de filosofia eram pessoas que consideravam o prazer sensual como objetivo de vida; para outros, eles eram uma seita. Eu relacionei a letra a essa busca por prazer sensual, o que na verdade é a maior tolice, se considerarmos o que os hedonistas faziam: eles comiam até vomitar, continuavam comendo... e mantinham isso por dias a fio... De certa forma, é claro que isso é uma atitude de vida radical. Mas a longo prazo... 
Eu, na verdade, relacionei a letra à sociedade atual, pois sou da opinião de que a sociedade de hoje é totalmente hedonista e, por isso, é a coisa mais perversa que existe.
P.S.R.: Vocês gostariam de fazer música para um filme?
PBD: Depende de que tipo de filme. Devo adiantar que já fizemos música para um audioteatro (Hörspiel). Foi até transmitido pela WDR [Rádio do Oeste Alemão]. O programa, no entanto, era totalmente raso em termos de diálogo. Um audioteatro de ficção científica.
Para um filme... eu conseguiria perfeitamente imaginar escrever música para um filme como "Gothic" [de Ken Russell]. Ou "Angel Heart" [Coração Satânico], mas não para comédias. A exigência artística (Anspruch) tem que estar presente.
Segue-se uma breve discussão sobre filmes (Salvation, Gothic, Angel Heart)....
PBD: Eu achei "Gothic" absolutamente poderoso. Mas ele foi divulgado de forma totalmente errada, sendo que o filme tem um background inacreditável.
P.S.R.: Uma pergunta sobre a capa. Vocês escolheram uma pintura de Tintoretto. Por quê? E qual é a relação de vocês com a pintura em geral (preferências)? (O problema é que as vozes na fita cassete mal se distinguem. Assim, não tenho ideia de quem disse o quê. Desculpe!)
PBD: Bem, a minha preferência é acima de tudo Lautrec. Já por causa de sua aparência, que era bastante semelhante à minha, e por toda a maneira como ele vivia. O fato de ele ter morado em um bordel, por exemplo. Eu simplesmente acho a pessoa dele fascinante, talvez nem tanto o que ele pintou, mas sim a pessoa dele.
PBD: Devo dizer que não tenho necessariamente uma relação com as artes visuais no sentido de um pintor favorito específico...


...eu pinto eu mesmo, de forma muito abstrata. E também acontece que na pintura de Tintoretto há muitas coisas escondidas, que só se reconhecem depois de cerca de meio ano, pelo menos eu. Com esta pintura é como com a nossa música: há muitas coisas escondidas nela que só se revelam algum tempo depois. Coisas que estão escondidas, que só se reconhecem mais tarde, mas que foram conscientemente inseridas pelo pintor. 
PBD: Esta pintura é a parte do disco que cria uma Obra de Arte Total (Gesamtkunstwerk). A pintura foi escolhida de tal forma que não se olha para ela uma vez e se diz: 'esta é a capa do PBD', mas sim que se olha para ela várias vezes e por um longo tempo, e talvez também enquanto a música está tocando. 
PBD: Quanto às preferências artísticas: Eu prefiro Surrealismo, Maneirismo...

...principalmente Tintoretto ou Magnasco. Na verdade, queríamos primeiro usar uma cena de tortura de Magnasco, mas que teria ficado muito escura [na impressão].
P.S.R.: Arte mais moderna, dos últimos 30 anos, não lhes diz nada? 
PBD: Se pegarmos este século: Kandinsky! 
PBD: Dos últimos 30 anos, pouca coisa me diz algo; talvez eu saiba muito pouco. Gosto de alguns italianos. Não sei os nomes agora, mas há algumas coisas fantásticas.
... Voltando à capa: este Tintoretto tem algo de absolutamente poderoso e misterioso. Só o grupo de figuras no primeiro plano à direita tem algo de absolutamente perverso.

Distribuição do LP "Fierceness of the immortal Charisma"
Rough Trade L 10-3460

In Search Of Extremists
Franz Liebl
Steinerweg 14
8000 München 60

ALZ*P231*VIVENZA*DIE FORM*ETANT DONNES*VOX POPULI
X-RAY POP*DDAA*SONORITE JAUNE*L. CARAMEL*UN=FILM*
MASTER/SLAVE RELATIONSHIP*DOG AS MASTER*DEAD TECH
SMERSH*PROBLEMIST*JOHN WIGGINS*MERZBOW*ZA DHARSH*
BOY DIRT CAR*ALGEBRA SUICIDE*HYBRYDS*HUMAN FLESH*
BLACKHOUSE*FLOPHOUSE*AMOR FATI*BIG CITY ORCHESTRA
HATERS*SCHLAFENGARTEN*PSYCLONES*NURSE WITH WOUND*
CURRENT 93*ESPLENDOR GEOMETRICO*ART ET TECHNIQUE*
RAMLEHAMAYBE MENTAL*CONTROLLED BLEEDING*IF, BWANA
DUE PROCESS*SLEEP CHAMBER*DISSECTING TABLE*S.CORE
GREATER THAN ONE*LE SYNDICAT*ANSCHLUSS*F/I*CYRNAI

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Desesperadamente procurando por suicídio

Compilação com Algebra Suicide, Psycodrama, Null, Controlled Bleeding, Borbetomagus, Die Form, Maria Zerfall, Maybe Mental, HNAS (e outros).

Edição limitada e numerada de 500 cópias


A entrevista com Schwefel [Enxofre, em português] foi feita após a sua apresentação no clube Röhre, em 17.12.87, e foi conduzida de forma muito espontânea por Uwe, Sumpla, Petra e Kassi. Como é comum em entrevistas improvisadas (especialmente quando feitas após um show), ela não pertence necessariamente às performances jornalísticas brilhantes, mas, no entanto, transmite uma impressão.
P.S.R.: Contem-nos um pouco sobre a vossa história: há quanto tempo tocam juntos, etc. 
S (Schwefel): Na verdade, eu comecei o Schwefel completamente sozinho. Meu sobrenome também é Schwefel, e isso foi há cerca de 3 anos, quando eu estava fazendo cassetes. Depois, eu o encontrei [referindo-se ao outro membro], e passamos a fazer o trabalho ao vivo como uma dupla. Também fizemos o primeiro disco juntos, usando sequenciadores e máquinas de ritmo (drum machines). Agora, há 2 meses, a banda existe com 4 pessoas.
P.S.R.: Essa é então uma formação fixa? 
S: Sim, sim. 
P.S.R.: Vocês têm um público melhor em outros lugares? 
S: Depende de onde tocamos. Em Mannheim ou Berlim, sim, porque somos bem conhecidos lá. No Sul da Alemanha, simplesmente tocamos pouco. 
P.S.R.: Como vocês chegaram ao título do vosso novo disco ("Metropolis")? Isso tem algo a ver com o filme? 
S: Tem a ver com o filme, mas também com a cidade de onde viemos. De alguma forma, isso se encaixou.
P.S.R.: As músicas mais lentas são canções de amor em termos de letra? As melodias parecem ser. 
S: Bem, uma canção de amor está incluída, e há também uma canção decadente. E há uma música sobre os "Blacks"; são pessoas como vocês... ou melhor, como eu. A música é um tanto paradoxal, porque eu desabafo sobre os "Blacks", mas me considero um deles (Nota do editor: Schwefel está realmente todo de Preto, desde a roupa e a maquiagem até a cor de cabelo auto-selecionada).
P.S.R.: Por isso também "Schizophrenic Party"? 
S: Sim, talvez!
P.S.R.: Achas que foste de alguma forma influenciado pelo MC5 e/ou pelos Stooges? 
S: Não, na verdade, não. 
P.S.R.: Mais um Gary Glitter moderno? 
S: Sim, claro, Glam está presente. Eu cresci com isso. Tinha uns 13, 14 anos quando estava na moda.
P.S.R.: Como são as tuas letras? Elas têm um sentido mais profundo?
S: Elas têm, sim, um sentido profundo. Posso dar-te apenas um exemplo: Há um ano, mudei-me para um edifício novo – bem, novo, um prédio dos anos 50...
...e do lado oposto está um edifício antigo, uma construção totalmente fascinante. Estava no inverno, e eu andei por ali, estava de alguma forma totalmente frustrado, e então nasceu esta letra, sobre o que eu estava sentindo, e depois também fiz a música.
P.S.R.: (Uwe; muito sério!): Sentiste-te de alguma forma conectado com escritores românticos? 
S: Não, na verdade, tudo vem de mim mesmo. Também leva um tempo incrível até eu ter escrito algo assim. Eu sou, de fato, um Romântico, mas de alguma forma mais Esquizofrênico; eu também gosto de uns absolutos Fetzer - gíria para músicas agressivas/rápidas.
P.S.R.: Vocês gostam de festivais grandes como este (4 dias, 16 bandas e performers)? Uma banda individual acaba se perdendo ali.
S: Isso é verdade, nós nunca tínhamos feito isso antes. Mas também é difícil atrair as pessoas para isso. Hoje tocam bandas totalmente desconhecidas. Nós também não somos muito conhecidos em Stuttgart [Sul da Alemanha]. Já tocamos em Freiburg e em Munique, mas, fora isso, mais na Alemanha do Norte. Nosso empresário é de Berlim e tem contatos principalmente na Alemanha do Norte.
P.S.R.: Podes nomear mais algumas coisas que gostas! 
S: Acima de tudo... Marc Almond... T. Rex. 
P.S.R.: De alguma forma, chegámos a Blixa Bargeld por causa da aparência do Sr. Schwefel... 
S (Vocalista): Blixa Bargeld, sim, de alguma forma eu gosto dele, mas não é necessariamente a música que eu ouço o tempo todo... Eu não ouço muita música, antigamente eu comprava discos compulsivamente, quase como um vício, mas isso parou desde que eu mesmo comecei a fazer música.
P.S.R.: Isso é porque fazes a melhor música para o teu gosto? 
S (Vocalista): Sim, eu faço o que gosto, tão bem quanto posso.
P.S.R.: (para o Saxofonista) Tu tocas muito bem, há quanto tempo e em que bandas já tocaste sax? 
S (Saxofonista): Comecei a tocar numa banda com cerca de 14 anos. Era mais uma espécie de banda escolar, mas ainda assim bastante bem-sucedida. Depois tive outra banda, uma banda acústica. Fiz isso até começar a trabalhar com Schwefel. Ainda há algumas músicas no Schwefel que eu ainda toco seguindo a partitura.
S (Vocalista): Ele consegue tocar muito bem seguindo a partitura, eu, na verdade, não sei tocar nenhuma nota. Eu, ao contrário dele, faço tudo de cabeça.
No final, Schwefel ainda conta uma história sobre animais de estimação. Temos que imprimi-la literalmente:
S: Eu tive um coelho uma vez. Ele estava muito bem, até tinha o seu próprio quarto. A certa altura, eu quis livrar-me dele, e um conhecido, um tipo rocker, disse-me: "Coelho? Claro, eu posso sempre usá-lo." E então ele veio, pegou o coelho, e quando estava nas escadas, o coelho virou-se mais uma vez e olhou para mim... e eu só consegui pensar: "Oh, merda..."


Eles eram anunciados como 'Punk da Hungria' — será que foi por isso (pelo Bônus de Exotismo) que tanta gente veio, a ponto de lotar completamente o local chamado Manufaktur, em Schorndorf?
Mas era Música Xamânica do Século XXI, um Incêndio na Estepe de Ritmo-Êxtase que tudo incinerava, aceso por 2 guitarristas, 1 baixista, 1 baterista, 1 percussionista (que tocava dois grandes pratos) e um vocalista. Visualmente, a banda estava vestida de forma bastante "normal", exceto pelo vocalista, que usava uma espécie de camisa, tecido vermelho brilhante e decorado de forma imaginativa, e pelo percussionista, que parecia um adepto Batcave sombrio inglês (além disso, ambos tinham desenhado traços pretos, finos e nítidos nos rostos).

E foi uma carnificina de barulho estourando e pulsando, executada como um ritual sentido com extrema intensidade, sempre com gritos, quase como um instrumento, assobios estridentes e agudos, rangidos de arco de violino nas cordas da guitarra, em um momento, sons de uma flauta arcaica, rasgueado [nas guitarras] puríssimo, ora minimalista, ora brutal. O ritmo das faixas era constantemente variado, elas se fundiam umas nas outras, ligadas (?) por períodos de descanso exausto, nos quais apenas o pulsar do som podia ser ouvido. O estranho foi que a música vivia em si mesma, não era arremessada de forma agressiva para fora, apesar do vocalista que girava extaticamente.

Fatos: Metade dos membros da banda são cientistas naturais, o vocalista e líder do grupo, Attila Grandpierre, é Doutor em Astronomia. Segundo o texto informativo do programa do evento, [esta é] "uma combinação incompreensível para muitos funcionários na Hungria, que classificam o grupo como imprevisível e ameaçador. Eles não têm nada contra a música e as letras, mas temem a reação do público."

Na conversa, um guitarrista disse, no entanto: "Nós não temos problemas com as autoridades. Podemos tocar onde quisermos." Na sua terra natal, tanto clubes menores como salas com capacidade para 2-3.000 pessoas estão sempre completamente cheios nos seus concertos. 
Eles já tocaram em Namburg, Ravensburg, Berlim, Eindhoven e no Alabamahalle de Munique (todos como banda de abertura para Die Tödliche Doris e Einstürzende Neubauten) — ah sim, eles têm um empresário alemão. No dia seguinte, tiveram de voltar para casa às 5 da manhã, juntamente com uma pequena base de fãs que viajou num Trabant [carro do Bloco de Leste]. (Atualmente, sair do país custa 120 marcos por pessoa). 

P.S.: Eles são todos simpáticos, gostam de festejar, adoram Iggy Pop e o primeiro disco sai em março.

Gilberto Zorio


INTERGALAKTISCHES LÄRM-STRUKTUR-FESTIVAL

FESTIVAL INTERGALÁCTICO DE ESTRUTURA-RUÍDO


16.12.87
A Noite de Abertura para o Festival Intergaláctico de Estrutura-Ruído de 4 dias. No hall de entrada do Röhre [clube], estavam penduradas pinturas de um epígono de Dalí chamado Tannrath, pintadas de forma hipersimbólica. Apesar disso, um panfleto por ali (com aparência de ter sido montado muito apressadamente) anunciava algo sobre o "estilo de pensamento livre de intenções". Pôde, no entanto, convencer (melhor uma boa cópia do que um mau original?? para reflexão, nota do editor), embora a exposição não pudesse igualar o nível do anúncio no programa da Röhre.

Musicalmente, estavam anunciados para a noite: Chrome, Kowalski, One System; tocaram: Chrome, uma "orquestra de sintetizadores" do círculo de Verichrome Tulips, One System.
One System, uma dupla de algum lugar da Alemanha, fez a abertura. Alegadamente, foi a sua primeira grande apresentação supra-regional, e para isso, foi bom. Muita habilidade nos instrumentos, boas máquinas de ritmo [drum machines], voz agradável... Mas o que é que esta música de dança tinha a ver com "Estrutura-Ruído"???
O pior: O grupo que se seguiu. Batida-Disco-Estampada-Tagarela-Eletro-Rítmica [Disco-Stampf-Plänkel-Elektro-RBeat]. Não para os meus ouvidos! Nós usámos a três quartos de hora (45 minutos) para socializar com conhecidos mais ou menos distantes lá fora. Mas, para não ser injusto com a segunda banda: amantes de Música Wave dançável teriam certamente gostado (mas este era, afinal, o "Festival de Estrutura-Ruído", ou não?)
Chrome salvou a noite, pelo menos, em parte. Quem conhece o seu genial LP "Blood on the Moon" certamente deve ter ficado desapontado, mas, objetivamente falando, foi bom ruído, melódico, e em parte Synthie-Rock semelhante a Leather Nun [Banda Sueca Industrial/Gótica]. Quanto ao público: cerca de 200 pessoas lá, que em sua maioria pareciam estar em um concerto do Motörhead, mas Chrome (especialmente Damon Edge) pareciam exatamente iguais.

17.12.87
Segunda Noite: Apenas cerca de 80 pessoas compareceram. O Wiseblood teve que ser cancelado devido à escassa venda antecipada (o que resultou em ainda mais gente a ficar em casa). Em contrapartida, pelo menos toda a redação do PSR esteve presente nesta noite, juntamente com alguns obstinados "peregrinos de qualquer festival de Noise num raio de... Km".
O show de abertura foi feito por "Schwefel" (de Mannheim). Eles transformaram Glam-Rock em uma ritmo forte dos anos 80. Era possível ouvir também Stooges e MC5, riffs de aço de baixa frequência, máquina de ritmo (Drumcomputer) acelerada demais no estilo Big Black (Baterista?), O vocal no início [era feito] através de um Megafone, atmosfera Psychedelic Furs devido ao Saxofone que sonhava melancolicamente para si mesmo, canções românticas de Coração/Dor no teclado (Keyboard). Jaquetas de couro e sapatos estilosos combinam com isso. No geral: Schwefel é o Noise-Rock'n Roller mais barulhento e duro da Alemanha, pelo menos ao vivo...
Intervalo (Umbaupause): No hall de entrada, é possível desfrutar da mais grosseira Noise-Art. Puro feedback vibratório e retumbante, garantidamente livre de melodia e harmonia (Muzak para manicômios; nota do editor). A banda chama-se OIL BLOW, e a origem é provavelmente a Suíça. O líder, numa farda semelhante à da Era Mao, conecta-se impassivelmente num pódio a máquinas de som eletrónicas (Osciladores?) com aparência de serem da pré-guerra. Este...
...guincho arrastado e que raspa os nervos fica mais alto, mais alto, (A cabeça vai explodir!) mais alto. Em frente a ele, dois "Guitarristas" forçam puro feedback grosseiro-retumbante, maltratando as cordas com um arco de violino etc. Um terceiro [membro] gera batidas com bom reverber, enquanto bate com 3 tubos metálicos contra o chão e uns contra os outros. MASSIVO!
Em seguida, THE BLECH eram não-categorizáveis, ou será que devo inventar uma construção de palavra monstruosa como "Hardcore- Híbrido-Industrial-Dadá-Jazz"? No microfone, pode-se imaginar o Jello Biafra alemão, que declama (com voz poderosa) Poemas Sonoros Dadá/ Palavras de línguas inventadas, [acompanhado de] Violino eletricamente amplificado, som de bateria diversificado, Instrumentos de Sopro de Metal (Metais), Sintetizador etc.; apresentado de forma teutónica [alemã], bizarra e divertida (em termos musicais, são próximas de grupos como P16D4 ou HNAS).
Embora as suas criações por vezes ameaçassem desfazer-se polirritmicamente / de se tornarem autossuficientes, elas permaneceram sempre marcantes / Imagens mentais que surgiam: O interior do cérebro de um maratonista que está prestes a colapsar a 100 m da meta; as sensações de um rato de laboratório injetado com estimulantes. THE BLECH receberam muitos pedidos de encore merecidos. No final do concerto, OIL BLOW voltou a construir as suas ondas eletrônicas guinchantes, que desta vez quase mataram os nervos auditivos, mas acabaram por colapsar de forma eficaz sobre os expostos. Em bom português: ficou demasiado alto para nós e desaparecemos na noite.

18.12.87
Para começar, Z'ev – com o obrigatório e inabalável cigarro no canto da boca – executou os seus Rituais de Percussão em três grandes tambores semicirculares: a fascinação e o tédio estavam lado a lado. A partir das colunas, ressoava um Playback (em Inglês) com uma reportagem sobre a Flora e a Avifauna da Mongólia Interior (com exemplos de chilreios), em particular sobre um "Yardbird" [nome popular para pássaro], seguido por uma reportagem ao vivo de corridas de cavalos, onde, estranhamente, um cavalo chamado "Yardbird" estava entre os três primeiros, um diálogo sobre as alegrias da maternidade e excertos de chamadas telefónicas de terror (juro que não é brincadeira)...
...Depois de Z'ev receber aplausos suaves (já que apenas 120 espectadores estavam presentes; quando muito) mas calorosos: ABT. Três jovens cavalheiros num visual uniforme de T-shirt de Z'ev tocaram Rock Industrial de estrutura tradicional (Guitarra, bateria, Sintetizador, Vocal, etc.). Muitos clichês surgiram, falta de coragem para improvisação/inovação! AnneOrowragan (ou algo semelhante, o nome dela estava escrito de forma diferente em cada cartaz): uma pequena francesa lasciva e frágil com uma peruca de corte pagem espreguiçava-se de forma autoconfiante através de "Canções" do Século XXI. O seu robusto companheiro loiro dedilhava a guitarra e maltratava 2 tambores suspensos livremente numa escada de alumínio com baquetas, punhos e (claro) com a sua guitarra. O Ritmo era gravado (Playback). O que fez tudo ser uma combinação bem-sucedida foram as projeções de slides bonitas e coloridas (macrofotografias da natureza e coisas indefiníveis).
Depois, Z'ev de novo, que já tinha tocado para outro público alguns anos antes no Clube de Arte de Württemberg. O Grão-Mestre do Culto da Percussão (ao lado de Jeff Hreinke) com a cabeça rapada e T-shirt de design próprio (com grandes símbolos ocultos) hipnotizou a maioria com o que extraiu dos seus indescritíveis instrumentos metálicos, também de design próprio: Tilintar homogéneo, trovoadas metálicas crepitantes, zumbido transcendental, Trabalho Escravo em Staccato, cascatas de conglomerados sonoros que se sobrepõem... Z'ev é como 30 anos de trabalho uniforme em linha de montagem numa siderúrgica, mas ele tocou apenas cerca de uma hora. Uma entrevista após o concerto foi recusada, e ele convidou-nos, em vez disso, no dia seguinte, para "uma conversa aconchegante" ao pequeno-almoço no seu hotel, mas infelizmente soubemos lá na manhã seguinte que o "Maestro" já tinha partido extremamente cedo. Mas com isto fica a promessa de que será compensado na minha próxima estadia na Holanda ou no próximo concerto do Z'ev nesta área.
Os Space Cowboys que se seguiram provavelmente escolheram Jim Foetus como modelo. Eles alcançaram o máximo de decibéis naquela noite e era possível dançar bem o rock. Quem toca "Je t'aime" [Serge Gainsbourg] numa versão tipo ZK [banda alemã de punk rock/new wave] + uma introdução em loop infinito de uma voz feminina a gemer de orgasmo para orgasmo...


...deve estar com a moral alta, não é??? Foda apocalíptica no espaço (mas se é para ser Noise-Rock, prefiro Schwefel! nota do editor). Oil-Blow também estava novamente presente nos intervalos e celebrava o seu ruidoso culto de osciladores-ou-sei-lá-o-quê (pintura de som (?) obscura a obscena sado-maso-Noise-Art; nota do editor), desta vez apoiado por filmes flacker [cintilantes] de computer graphics sem sentido.

19.12.87
Noite de Encerramento no Röhre (Laibach tocaram no Longhorn). Prometia ser a noite mais barulhenta. A parte da redação do PSR que fala inglês esteve presente logo à tarde para conversar um pouco com Paul Lemos (a entrevista pode ser lida no PSR Nº 2, do qual ainda tenho exemplares disponíveis). Art Deco, da Hungria, tinha cancelado o concerto, o que já estava confirmado no dia anterior.
A melhor projeção de slides definitiva veio de Bourbonese Qualk: Silhuetas/Imagens de luz de fundo ampliadas para o tamanho gigante de insetos mortos e vivos/animais rastejantes (Quem será que alimenta os bichinhos?). Três jovens, espertos cavalheiros de corte crew-cut e botas pretas sabiam usar excelentemente Bateria + Baixo de 2 cordas + Guitarra + Sintetizador + Playback, um ataque vocal de instrutor de treinamento [Drill-Instructor] contagiante, muito rítmico e denso (semelhante aos primeiros Swans, só que mais eletrónico). Bourbonese Qualk são, como se pode supor, Antifascistas e Pensadores. Gostei muito (foi muito melhor do que as suas gravações).
The Grief, da França, eram sobretudo ultraloud [ultrassônicos/ultra-altos]. Os ingredientes eram pistas de ritmo (Rhythm-Tracks), baixo hipergrosseiro, 2 vocalistas estáticos e sintetizador. O que começou de forma algo tola com olhares sérios e penetrantes para o público e auto-revelação bastante banhada em patetismo, degenerou num ataque quase físico que causava desconforto, que levou a maioria do público a fechar a sua veia masoquista e a migrar para terrenos mais seguros [fugir].
No chão frio do hall de entrada, houve então uma Performance de... ? (segundo o panfleto de anúncio era Eric Gordier, nota do editor). Ao fundo, a melodia mínima ostinato de um fliperama [máquina de pinball] a combinar: Um homem magro, nu e de cabelo comprido emaranhava e desenrolava os seus membros em sequências de movimentos infinitamente lentos, de posições de Feto a posturas de um Homem Primitivo, durante uma trovoada etc. O Rosto estava sempre curvado e coberto pelos seus cabelos. Controlled Bleeding (ver também PSR2 ) de Nova Iorque tinham na bateria um Ex-Baterista de Hardcore Punk, usaram cassetes, Baixo, Guitarra, Tambor de óleo, chapa de metal sacudida [agitada] (troca de instrumentos aleatória, mais descontraída), e arte vocal gregoriana estilo 4AD [selo britânico de música gótica/dream pop], que fazia lembrar Monges Capuchinhos em imensas, escuras grutas de calcário. Meditativo até (infelizmente raramente ) Swans-esco (para mim, os melhores do Festival; nota do editor). 
No geral, foi um Festival muito interessante até (ocasionalmente) genial. O público, sempre presente em números muito reduzidos, veio em parte de muito longe. As perdas do Röhre (ou dos organizadores) [foram] extremas), embora seja preciso notar que mesmo grupos conhecidos da cena Noise e Experimental (Swans, Legendary Pink Dots) podem se contentar com um público de 200 a 250 pessoas em Stuttgart. Claro que não se pode dizer nada contra 20 grupos por 60 marcos [DYN - assumindo marcos alemães], (Passe de 4 dias).

Discografias dos grupos participantes:
(Sem pretensão de ser exaustiva)

Schwefel:
- Cassette,"Detailed"
- 12" EP "Scitzophrenic Party"
- 12" EP "Metropolis"
alle auf "Amigo" erschienen
The Blech
- Same LP (Home Products)
- Zip zim LP

Z'ev:
- Cassette,"50 Gates" (Staalplaat)
- LP,"Elemental Music"(Subterranean)
- LP,"My favourite things" (Subter.)
- LP,"Schönste Muzik"(Dossier)
+ diversas contribuições para compilações.

Bourbonese Qualk:
- Cassette,"Music while you work"(AD split cassette mit "Hartmann"(ADN)
- Same LP (New International)
- Mais 2 LPs (Dossiê???)

The Grief:
- 2 LP's und eine 12" EP (Les nourritures Terrestres)

Controlled Bleeding:
- Cassette,"Death in the cameron" + weitere Cassettenproduktionen
- LP, Core (Subterranean)
- Split-LP mit Maybe Mental (Placebo)
- LP,"Knees and Bones"(Psychout Prod)
- LP, "Body Samples"(Dossier)
- LP, "Curd"(Dossier)
- LP, "Headcrack"(Sterile)
- LP,"Between tides"(schwedische Pressung einer US LP)
- LP, "Songs from the drain"(Dossier)
Muitas contribuições para compilações e outros LPs. Novo LP europeu e americano em preparação. (Como dito; sem pretensão de ser exaustiva)

Chrome (apenas os lançamentos mais antigos)
- LP, "The Visitation" (Siren)
- LP, "Alien Soundtracks" (Siren)
- LP, "Half machine lip moves" (Siren)
- LP, "Blood on the moon" (Red Rec. relançado pela Dossier)
- LP, "Red exposure" (Beggars Banquet)
- LP, "Resd only memory" (Red Rec.)
- LP, "Inworlds" (Beggars Banquet)

CHROME

Laibach e d;Grumh no Longhorn/Stuttgart. Início (segundo o ingresso): 19:30, início real: cerca de 21:35; a banda Sort Sol não tocou; Início, apesar de tudo, 22 Marcos Alemães; Seguranças presunçosos; nsaaja [expressão de desagrado].
1234 BUM BUM BUMMM, Lama Enfadinha, d;Grumh são "Rockers Eletrônicos" do tipo estúpido/obtuso e o que tem a ver aquilo que está a passar no "televisor" (Glotze, TV de tubo) no palco com esta música? O vocalista derrama cerveja em si próprio e lambuza-se com bananas – completamente parvo, poses estúpidas de Rockstar e tudo demasiado exagerado.
O Laibach começa melhor: Com uma longa introdução para o concerto, primeiro belas canções de Natal iugoslavas (?) (que ignorante terá gritado para pararem?) e uma árvore de Natal luminosa no palco, depois um Monólogo de um Biólogo sobre diversos comportamentos de escaravelhos-veado, enquanto, na frente do palco, era fixado um modelo de chifres de escaravelho-veado sobredimensionado, mas realista.
Então: Ritmo Homem-Máquina de 5 homens uniformizados, fervor, pomposo, rostos rígidos e imóveis, movimentos truncados. Quem quer ser impressionado? Embora a guitarra deles seja usada de forma muito interessante (sem emoção e citando frases, Pseudo-Soli), no entanto, Laibach é irremediavelmente superestimado devido ao seu bónus iugoslavo, pois eles têm músicas ruins e o que seriam estes senhores, menos o seu agressivo espetáculo de luzes (Estroboscópios, holofotes, nevoeiro artificial e outras ninharias)? Mais algo sobre o espetáculo: Filmes a preto e branco moderadamente interessantes (Escaravelhos-veado em habitat natural, linogravuras expressionistas, velhas gravações de desenhos animados) eram projetados sobre a banda durante algumas músicas.
Nos três dias anteriores, eu vi coisas verdadeiramente melhores (Onde? No Festival de Ruído e Estrutura, onde vocês não estavam, vocês, que correm aos centenas como uma manada de vacas atrás de grandes nomes).
Nhoj Ekidpu


MUCKEN

A Orquestra de Salão Heinrich Mucken é uma formação de 12 membros que causou sensação principalmente no Norte da Alemanha e na documenta 8 com as suas ações. O jornal NRZ escreveu sobre o grupo algo como "no rasto de Joseph Beuys", o Jazz Podium designou-os como uma "Quase Big Band" e a Spex (em 1983) elogiou-os como a versão ébria e desenfreada da Vienna Art Orchestra. Nessa época, foram produzidas várias cassetes por Heinrich Mucken, por exemplo: "Bêbados e Acorrentados" C 90, "Cinco e Meia" C60, "Vocaleros" C 90 e "Ainda soprei na garrafa de cerveja de vez em quando" C 90. Se estas cassetes ainda estão disponíveis, não sei, mas presumivelmente não mais. A imprensa musical descreveu estas obras como Free Jazz/Big Band (transgressoras para a Nova Música/Música Livre), "improvisações barulhentas, caóticas + líricas / diletantes + profissionais". Nessa altura, chegavam a tocar 20 artistas na Orquestra de Salão Heinrich Mucken. Por volta do ano de 1985, foi produzido um LP Documental para o Simpósio de Land Art "Estações do Ano". Uma peça improvisada por estação do ano ( portanto, 4 faixas no disco). Musicalmente, o disco tem fortes traços de Free Jazz, é muito rítmico, e, apesar dos 12 improvisadores, o disco soa minimalista.
A Orquestra de Salão Heinrich Mucken foi fundada em 1982 por Dieter Schlensog. Nada nos é conhecido sobre a génese do nome Heinrich Mucken, cada um pode especular tranquilamente ao ouvir a sua música. O interesse principal do grupo reside na performance urbana e paisagística, ou seja, a inclusão do caráter temporal diário e sazonal, bem como das condições locais. Estas circunstâncias influenciam então a apresentação acústica e musical. No entanto, a Música não é de modo algum o aspecto central, pois também são integrados na performance global materiais visuais, cénicos e linguísticos. Outro aspecto notável nas performances é o caráter temporal que muda frequentemente: muitas ações estendem-se por vários dias, ou são continuadas em vários dias em diferentes horas do dia ou, talvez, melhor dito: são complementadas. Isto tem, então, naturalmente, também uma influência no caráter da ação.
De acordo com este conceito, o grupo não está limitado a espaços fechados. Eles conduzem tanto ações de música urbana, como também atuam em inaugurações de exposições e eventos de performance. Os ruídos contemporâneos utilizados por HEINRICH MUCKEN são ruídos da vida quotidiana e de rua, que dificilmente podem ser encontrados e realizados em situações de concerto tradicionais. Assim, o trabalho da ORQUESTRA DE SALÃO HEINRICH MUCKEN deslocou-se cada vez mais para os centros da vida quotidiana (como, por exemplo, em centros de cidades e zonas pedonais), o que lhes permitiu incluir a cidade e a paisagem nos seus projetos. Objetos que não são explicitamente definidos como ferramentas musicais, mas que são característicos do respectivo ambiente, são utilizados para a produção de som.
Um exemplo da abordagem multimédia e da inclusão das circunstâncias espaciais e temporais de Heinrich Mucken é a ação "HEINRICHTUNGEN" [algo como Instruções/Direcionamentos], que ocorreu durante o Encontro de Verão de Bielefeld em Agosto de 86. Uma ação que também mostra que HEINRICH MUCKEN se libertou da mera apresentação de música improvisada. Um motivo para abordar brevemente esta ação de 160 minutos: O Início da performance foi um concerto de rua de uma orquestra de tambores, seguido por uma "instalação da praça"; Durante cerca de 15 minutos, faixas pavimentadas de preto eram varridas. Depois, os membros da Heinrich Mucken, vestidos com formas geométricas (círculos, triângulos e quadrados), marcharam lentamente ao som de um ritmo monótono de tímpanos pela Praça do Mosteiro de Bielefeld. Após 45 minutos, as figuras [roupas] foram retiradas e, acompanhado por um piano monótono, um palco e um cenário de sala de estar foram montados. Três betoneiras, cheias de chapa metálica e vidro, criaram uma paisagem sonora monótona e ruidosa. A ação era interrompida por "concertos de rua" sempre recorrentes, [como a de] um trio de cordas. Outros performers do grupo lêem textos sobre o tema "Arte e Cultura", pintam a sala de estar e...
...a decoração de amarelo, fazem movimentos uniformes ao som da "melodia em FM [UKW] piando". A ação tornou-se cada vez mais caótica: Slides são projetados numa cama, um rapaz toca acordeão na "sala de estar", uma banheira é serrada, músicos de sopro improvisam pela praça, a decoração da sala de estar é destruída.
Em explicação a esta ação, HEINRICH MUCKEN observou após a performance, que a sua performance se tratava de uma representação dos seus pensamentos sobre Arte e Cultura (textos de Nietzsche e Mao Zedong), focando sobretudo na mudança, no fluxo constante das coisas. A intensidade dos ruídos foi utilizada como "Adensamento" [Dichterwerden], que anunciava a conclusão (ou um solo).
Uma documentação desta ação pode ser adquirida ou emprestada como um filme de vídeo de 15 minutos sob o título "HEINRICHTEN" (Preço sob consulta). Uma ideia da metodologia de HEINRICH MUCKEN pode ser obtida através da documentação do projeto GRENZÜBERSCHREITUNG R" [Transposição de Fronteiras R], que consistiu numa exposição de projetos, esboços, rascunhos, fotos e modelos em 1985 no Museu de Esculturas Glaskasten Marl. HEINRICH MUCKEN estava representado com uma... (continua na página 16)


- Processo Visuo-Sonoro [Sehklangverlauf] 'DAHOERNSISCHAUNSISNDASNUKUNZ' para a Exposição BBK [Associação Federal de Artistas Visuais] em Willich, março de '88.

- Exposição '1º SALÃO DOS ARTISTAS' em Kleve, dezembro de '87.

- Obra Sonora Cénica em Cinco Partes [szenisches Klangwerk in fünf Teilen] 'DOINDEDISCHE' para a Documenta 8 em Kassel, setembro de '87.

- Ciclo de Imagens Sonoras [Klangbild-Zyklus] 'AINAN ADABAUS' para o Festival Folkwang em Essen, junho de '87.

- Ciclo de Imagens Sonoras [Klangbild-Zyklus] 'AINAN ADABAUS' para o Festival Folkwang em Essen, junho de '87.

- Encenação de Imagem e Som [Bild- und Ton-Inszenierung] 'UKODO KU' e Exposição Documental "ESTAÇÕES DO ANO" [Jahreszeiten] em Xanten, maio de '87.

- Concurso 'Arte na Construção - ESCOLA OVERBERG' em Ahlen, dezembro de '86.

- Projeto de Poesia Visual [Schau-Gedicht-Projekt] 'A TUA PALAVRA CARREGA O SOM DAS IMAGENS PELA CIDADE' e atuação 'DOS MUCKENOS' em Dortmund, novembro de '86.

- Projeto de Grupo de Artistas [Künstlergruppenprojekt] "BABYLON" em Kassel, outubro de '86.

- Ação Musical Urbana [Stadtmusikaktion] 'DRUMBET E FÉG' [DRUMBET UND FEG] em Paderborn, outubro de '86.

- Performance Sonora [Soundperformance] "ENT/ER/ING: JUNKER HEINZ..." em Leverkusen, setembro de '86.

- Música Urbana [Stadtmusik] 'HEINRICHTUNGEN' em Bielefeld, agosto de '86.

- Cerimónia de entrega do Prémio de Vídeo / Programa Paralelo [Rahmenprogramm] 'FLOPRISE' em Marl, junho de '86.

- Simpósio de Land Art [Landschaftskunstsymposion] 'ESTAÇÕES DO ANO' [Jahreszeiten] em Winnekendonk,
    'ER KOMMT'' (ELE VEM') março de '85
    'WEISSGLUT'' (BRANCA INCANDESCÊNCIA') junho de '85
    'Z.R.KRAUT' (Jogo de palavras / Krautrock) setembro de '85
    'SSZZZZT' (Ruído sibilante / Zumbido) dezembro de '85

---------------------- Disco Documental ----------------------

- Instrumentação de Objetos [Objektbespielung] '0LD NEAVÜE‘SQLUES“M' [Título de projeto críptico/ilegível] em Gütersloh, agosto de '85.

- Projeto TRANSPOSIÇÃO DE FRONTEIRAS R [GRENZÜBERSCHREITUNG R], Região do Ruhr, 1985.

- Instrumentação de Objetos e atuação 'MÚSICA DE HORDA' [HORDENMUSIK] em Coesfeld, agosto de '84.

- Música Urbana [Stadtmusik] 'INTERVALO DE QUARTA-FEIRA - INTERVALO DE ALMOÇO' [MITTWOCHPAUSE - MITTAGSPAUSE] em Frankfurt, julho de '84.

- Performance de Música Paisagística [Landschaftsmusikperformance] 'LUA CHEIA 5/84' [VOLLMOND 5/84] perto de Kranenburg, maio de '84.

- Entrevista na Rádio Bávara [Bayerischen Rundfunk], março de '84.

- Músicas de Cidade e Praia [Stadt- und Strandmusiken] 'MÚSICA PARA O EXTERIOR' [MUZIEK VOOR BUITEN] em Vlissingen, agosto de '83.

- Atuação 'CALMA E HECTICIDADE' [RUHE UND HEKTIK] no encontro de jazz de verão [Sommerjazztreffen] em Barsinghausen, junho de '83.

- Atuação 'BUNKER ULMENWALL' em Bielefeld, fevereiro de '83.

- Atuação 'SCHLOSS GNADENTHAL' em Kleve, agosto de '82.



AÇÕES E ATUAÇÕES DO GRUPO HEINRICH MUCKEN


..."Composição Multimédia do Espaço da Região do Ruhr". A documentação fornece informações sobre a sua metodologia na preparação da composição:
Das fronteiras externas do KXVR, 9 Duos do Grupo HEINRICH MUCKEN movem-se em direção a um Pavilhão/Salão situado no Centro. Pelo caminho, os duos recolhem documentos de natureza acústica e visual.
Os documentos acústicos consistem em ruídos ou concertos auto-produzidos. Por outro lado, são ruídos que pareceram interessantes, característicos ou importantes aos duos durante a travessia. No pavilhão, as gravações são reproduzidas no mapa no local onde foram feitas, e resultam numa Composição de Som-Ruído-Música da Travessia espalhada pelo pavilhão.
Os documentos visuais consistem em fotos Polaroid tiradas pelos duos, mas também podem ser esboços, colagens, desenhos, frottages etc.
Além disso, são recolhidos documentos textuais (textos, postais, diários), bem como composições musicais para a Orquestra completa, e também objetos que são típicos, absurdos, interessantes ou característicos da Região do Ruhr. Estes objetos são colocados no mapa no local de onde provêm.
Em seguida, a totalidade da ORQUESTRA DE SALÃO HEINRICH MUCKEN analisa a travessia.
Exemplo da mudança de ambiente nas atuações de HEINRICH MUCKEN, é o Ciclo de Imagens Sonoras "Ainen Adabaus" em Junho de '88 no festival Folkwang em Essen. A atuação foi estruturada em 5 sequências em 5 locais diferentes em diferentes horas do dia:
- Primeira Sequência: Sábado, 13 de Junho de '87, 10:46 Museu Folkwang, Essen.
- Segunda Sequência: Segunda-feira, 15 de Junho de '87, 13:00 Estação Principal de Essen.


- Terceira Sequência: (MUCKEN em Ritmo de 5 Horas) 15 a 17 de Junho de '87 (várias horas). Estação Principal de Essen, Tempo Extenso e Repetitivo.
A performance estende-se por 3 dias, repetindo-se em intervalos de 5 horas.
- Quarta Sequência: Quarta-feira, 17 de Junho de '87, 15:00, Estação Principal de Essen, Local Fixo. Terceira intervenção no principal centro de transportes (Hauptbahnhof).
- Quinta Sequência: Sábado, 20 de Junho de '87, 11:00, Mercado de Rüttenscheid, EssenMudança Final.
O ambiente muda para um mercado de rua (vida quotidiana, comércio).

O tema desta Obra de Arte Total Opto-Acústica [Opto-Akustischen Gesamtwerks], era a "locomoção moderna, tanto no sentido Físico como no sentido Espiritual." Uma vez que a Ação, devido à sua grande extensão espacial, não era totalmente compreensível para ninguém, era frequentemente acessível apenas ao público presente por acaso, público que...
...talvez nem quisesse ser público.
Comparável, em termos de distribuição espacial, foi também a Ação MUCKEN de 5 dias na Documenta 8. Tratava-se de uma Obra Sonora Cénica [szenisches Klangwerk], a "DOINDEDISCHE", cujas Quatro Partes ocorreram no Bistro New York e uma parte na Karlsaue, Kassel.
Além de tais Ações, deve ser mencionada a Literatura produzida por HEINRICH MUCKEN. O experimento literário não é um experimento com frases, como, por exemplo, a escrita automática, nem um experimento com letras [letras inteiras], como, por exemplo, as Colagens Sonoras Dadaístas. O experimento em MUCKEN começa na própria letra: Estas...
...são espelhadas, giradas, cortadas, projetadas umas sobre as outras em Mucken. Em resumo: tornadas irreconhecíveis. A associação à literatura surge apenas através do arranjo desses sinais.
Alguns escritos "legíveis" de Mucken lembram colagens de palavras. Entre os projetos de poesia do grupo, deve ser mencionado o Projeto de Poesia Visual [SCHAU-GEDICHT-Projekt] "A TUA PALAVRA CARREGA O SOM DAS IMAGENS PELA CIDADE" em Dortmund, novembro de '86. De resto, é de notar ainda que o grupo ficou em quarto lugar no Concurso Arte na Construção, em Ahlen, 1986. O endereço de contacto para o grupo é:

HEINRICH MUCKEN
Schloß Gnadenthal
D-4190 KLEVE
WEST-GERMANY


Survival Research Laboratories (SRL)

O Survival Research Laboratories é um projeto que, devido à sua estranha singularidade, causa problemas a qualquer descrição que se aproxime minimamente da realidade. Com que palavras se poderia caracterizar este tipo de Performance? E ...deve-se sequer fazê-lo? Certamente, pode-se dizer em todo o caso que o "Survival Research Laboratories" aperfeiçoou a intenção que os Músicos e Artistas Industriais perseguem, de forma visual e cibernética.
O Medo, o Sadismo, que está ideologicamente na base de tais "colagens de ruído", encontra no "S R L=" a sua perfeição ótica/estética. O SRL representa algo como a Revolução Industrial no campo das Artes Performativas.
Em resumo e formalmente para aqueles a quem o nome "Survival Research Laboratories" não diz absolutamente nada: O Grupo SRL é uma Trupe de Performance, cujas atuações não colocam pessoas no centro das atenções, mas sim máquinas de metros de altura. Monstros-máquinas de aspecto galáctico, que se duelam. As inspirações são numerosas, provenientes principalmente da Literatura Underground americana, como, por exemplo, Kurt Vonnegut, William S. Burroughs, J.G. Ballard etc. Este fenómeno Industrial, altamente idiossincrático, foi fundado por Mark Pauline por volta de '79. Nessa altura, Mark dedicava-se à construção de máquinas, mas sem atuações. Por volta de 1980, ele foi apoiado por Matt Heckart, que conhecia do San Francisco Art Institute. Em 1982, Heckart começou então a construir as suas próprias máquinas. Mais tarde, Eric Werner juntou-se ao Grupo.
Para dar uma ideia do esforço que o grupo coloca numa atuação, deve-se dizer que a preparação para uma atuação em Los Angeles ocupou 50 pessoas durante 3 dias. Apesar disso... segundo o SRL, as atuações custam apenas um décimo do que parecem custar. Este efeito é a sua arte.
O contexto formal do grupo é a frequência de uma faculdade, uma formação como Soldador e Engenheiro. Mark trabalhou em Campos Petrolíferos e na produção de Metal, Matt trabalhou na venda de Máquinas. Segundo Matt, todos os membros do grupo tinham já desde a primeira infância uma inclinação para a Tecnologia e para as Máquinas. Mark também acumulou muitas experiências, bem como uma licenciatura em Arte Visual, numa escola experimental (uma escola que oferece formação, mas que não atribui quaisquer notas ou avaliações pelo trabalho realizado), embora não na área da construção de máquinas, mas em diversas técnicas que ele ainda utiliza hoje. Nessa altura, ele dedicava-se à Literatura, Arte Visual e Teatro.
Mais tarde, Mark desenvolveu muitas ideias e conceitos impraticáveis, que, precisamente devido à sua impraticabilidade, parecem desapontadores. Isto, pelo menos na opinião do próprio Mark, levou, entre outras coisas, a que ele desenvolvesse ideologias e conceitos cada vez mais radicais e de crítica social. No entanto, estas ideologias não são de direita, como muitos querem atribuir ao grupo, mas sim mais orientadas para a esquerda. Acusações que se baseiam na incapacidade de estabelecer uma ligação entre as ações do "SRL" e a mentalidade estreita dessas pessoas.
A estreiteza de espírito [Engstirnigkeit] manifesta-se frequentemente nas reações do público ao SRL. As "armadilhas", com isso Mark refere-se às consequências, que resultam de um prazer ou satisfação [em] performances artísticas. O SRL não considera nada de especialmente maluco ou "estranho" nas suas atuações, mas eles notam pelas reações que a performance é interpretada dessa forma e não é compreendida. Presumivelmente, Matt pensa que isso se deve ao fato de o SRL, objetivamente falando, não fazer sentido, pelo menos se se tiver essa atitude. As pessoas também têm medo de ver algo que é tão diferente daquilo que conheciam. Mas, o medo é também algo motivador.
Lê-se sobre muitas coisas que são feitas que são simplesmente antiquadas. Algo que é verdadeiramente "estranho" tem de ser tão forte que consiga evitar as armadilhas.
As "Armadilhas" [Die Fallen], com isso Mark refere-se às consequências, que resultam de um prazer ou satisfação [imediata]. Aplicado à Arte: Assim que alguém se torna realmente conhecido pelo seu trabalho, fica obrigado a continuar a trabalhar sempre nesse mesmo estilo. Todo o seu sucesso, e, portanto, também o lado econômico, baseia-se nesse estilo. Há poucos que se podem dar ao luxo, e Mark chama-lhe "Luxo", de fazer algo que não esteja ligado a essas coisas.
O Survival Research Laboratories, no entanto, também recebeu ocasionalmente apoio financeiro. Por exemplo, do "National Endowment of the Arts". Sobre isso, o SRL afirma: que seria auto-destrutivo não aceitar tais apoios.
E se...


PRÁTICAS EXTREMAMENTE CRUÉIS

UMA SÉRIE DE EVENTOS CONCEBIDOS PARA INSTRUIR AQUELES INTERESSADOS EM POLÍTICAS QUE CORRIGEM OU PUNEM


...eles têm a possibilidade de obter fundos públicos, porque não aceitá-los? Naturalmente, deve-se ter sempre cuidado para não cair numa destas "armadilhas". Se não se estiver sempre atento, e também não se observarem os erros que Outros cometeram, durante muito tempo nem se dará conta de que se deu um passo estúpido.
O SRL afirma que é possível libertar-se de tal dependência, mas também há muitos artistas que fazem coisas realmente excitantes sem, no entanto, cair nessas armadilhas.
O SRL poderia ter ganho muito dinheiro se esse fosse o seu objetivo, eles receberam, por exemplo, muitas ofertas para alugar as suas máquinas; para Publicidade, Filmes, Rock'n'Roll. Mas o SRL resistiu a tal deturpação dos seus propósitos.
SRL: Nós temos muito mais (do que poderiam ter com isso), nós temos acesso a todo o tipo de coisas, nós temos uma oficina, nós temos muitos que gostam de nos ajudar, porque não nos consideram 'estranhos', mas sim nos compreendem e também tiram algo disso.
O SRL é muito intencional. Nós decidimos meses antes da atuação como é que um espetáculo vai ser exatamente, nós fabricamos as máquinas que personificam as nossas ideias, depois precisamos dos adereços, que têm a ver diretamente com o tema. Em seguida, temos de intitular o espetáculo e fazer cartazes, para gerar certas expectativas nas pessoas. Todo o empreendimento, todo o produto, tem de ser embalado e "promovido"! Os cartazes devem desafiar as pessoas a perguntarem "o que é isto?", "O que é que isto significa?" Nós próprios não sabemos no que é que isto vai dar. É isso mesmo que queremos descobrir. Claro que podemos deduzir milhares de ideias artificiais e clichés...
...como as "Ideias New Age", que são associadas ao nosso trabalho, mas eu não quero fazer isso, porque isso é o que alguém coloca em nós, e o que ninguém pode realmente saber [a intenção final].
O SRL trabalha no sentido de que os espectadores tenham de se confrontar com as atuações, mas cada espectador tem ideias estranhas diferentes sobre o contexto. Mas o fato de que se reflete sobre o assunto, e ninguém concorda, é considerado pelo SRL um sinal de que o seu trabalho tem sucesso. Mark compara-o a um acidente: "Ninguém sabe o que aconteceu exatamente...
...tudo está aberto a suposições." Resta mencionar, para terminar, que existem 2 lançamentos de vídeo do grupo: "A scenic harvest from the kingdom of pain" e "maimed artists" ambos estão disponíveis na 235-Media. Existem também textos do SRL, ou de membros do grupo, em discos de Spoken Word. As informações neste artigo vieram de diversas entrevistas em revistas americanas, pois o endereço para contato que eu tinha de Mark Pauline estava, infelizmente, errada ou desatualizada. Se alguém puder nos fornecer o endereço dele, eu ficaria muito grato.

Editora para o Contrarrealismo, - Günther Dienelt, Lilienthalstr. 8a, D 8460 Schwandorf 1

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Brochura, 70 páginas, 7 marcos alemães (DM 7)

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Histórias Fantásticas
Ficção Científica
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– Antologia para Ficção Científica e Fantástico –


ANGO LAINA

– Volume de Contos no Contrarrealismo –

Fantasia

(Poesia, Prosa, Contos/Narrativas, Épicos, Romances, Contos de Fadas, Ficção Científica, Artes Gráficas).


UM é UM
A Jovem Lírica Alemã
Von G.Dienelt

A Fantasia cresce com a Escrita, com o Sonhar, com a Reflexão, com o Desenvolvimento da Vida para expandir a Realidade. Ela (a Realidade) está sempre presente, mas só surge definitivamente com a Ponderação da Realidade. Os inícios da escrita são sempre realistas – ou seja, é um processo realista (Fundamento e Pensamento) e só mais tarde se multiplica com os Ismos das Sobre-Realidades espirituais e interiores numa consideração Fantástica (e crítico- paranoica) ainda mais profunda das coisas. O Ver (Sehen) é substituído pelo Olhar/Contemplar (Schauen), o que contém um significado completamente diferente, para contar histórias sobre a Realidade e dentro dela, através das viagens tempestuosas da Percepção. O Visível é suplantado pelo Contemplativo, por uma nova determinação das Coisas e dos Valores, uma determinação que traça a Alma, o Espírito, e não para no mundo de superfície do Cognoscível (e do Pensável).
No seu primeiro livro, "UM", Uwe Morawetz é, portanto, também Realista, como são os velhos realistas que começam a escrever. Ele, o jovem de 16 anos, cujos textos são testemunhos de uma maturidade literária precoce, está igualmente imbuído no emaranhado da Realidade, como todos os que querem encontrar o seu caminho. São cadeias de pensamentos que são tanto mais surpreendentes quanto mais mundanas (realistas) elas se revelam. São primeiras experiências com um labirinto, para o qual se escreve a partir do "Sono", portanto, em contraste com a Fantasia, onde se corresponde entre o Pensamento e o Sonho. A Realidade é, portanto, o primeiro processo, até que esta não é mais suficiente para penetrar no Karma das Energias, que a Fantasia pode usar como meio de Contramagia. Ou seja, Ir Além da Realidade e dos seus caminhos habituais do Entendimento e da Consciência. A Realidade exige agora uma coisa; a Realidade; ou seja, aquelas imagens que foram feitas com as suas câmaras. Estas imagens sofrem agora uma primeira reflexão, até que não são mais suficientes para preencher as outras páginas do Álbum. A Realidade não fornece mais imagens para essas páginas, pois elas destinam-se a registos completamente diferentes, que só se podem extrair em si mesmo e nos encontros com o Fantástico.
Estas páginas da mente estão assim livres para um afastamento da Realidade e para uma aplicação ao cerne desta Realidade, quando não se a leva mais em consideração, e apenas se pensa de acordo com as próprias noções, tal como fez Henri Michaux, que ousou escrever, neste mundo, sobre um mundo completamente diferente (fictício), e vê-lo como se passasse as noites neste planeta, nesta Ficção portanto, como componente (Pensamento) deste fenômeno da realidade. Michaux (até hoje o único), não pensa, portanto, com e no fim, mas sim num planeta completamente diferente, que ele concebeu em visões para si próprio. Com este enriquecimento através de substâncias irreais, a Realidade atinge os limites do seu céu, enquanto atrás deste limite se encontra e se expande o universo fantástico da Literatura (dos Mitos, na verdade) no tapete de estrelas de influências intergalácticas.
Aos 16 anos é-se ainda uma garota. Todos nascem como garota. A separação dos sexos só se consuma muito mais tarde, e só alguns anos após a puberdade, quando o ser humano se divide e se torna Homem e Mulher. Neste processo de decomposição da "gordura de bebé" [Babyspecks], o primeiro interesse (futuro) perde-se também num aspeto masculino e...
...feminino, ou seja, na Guerra dos Princípios. De repente, tudo existe em duplicado: Homem/Mulher, Pergunta/Resposta. O Pensamento... A Realidade (Mulher) surge em simultâneo com a Fantasia (Homem). Eu não vejo fantasia no talento das Mulheres, nem vejo talento na fantasia dos Homens.
Uwe Morawetz pega meus pensamentos e os escreve. Em seus textos, posso me reencontrar e também me desvendar. Essa característica de um pensamento cooperativo (descrever o que a gente mesmo sente) faz com que eles se tornem futuros Bestsellers. Só quando a gente se sente representado nos textos, é que os absorve e os guarda. Cada um atribui suas histórias ao outro. Um escritor pensa, portanto, para o leitor. Ele simplesmente ocupa o lugar do leitor. A Fantasia, por outro lado, está um andar acima, acima das coisas, nos cômodos do subconsciente. A gente não a escreve para trazê-la para um andar inferior. A gente pula com ela pela janela, não importa se vai chegar lá embaixo ou não. Não se precisa aqui de alguém que provoque pena, que queira falar sobre o amor (sobre o "ai e ui").
É preciso sempre buscar os pontos de costura do futuro e então absorvê-los, para que se obtenha pedaços granulados do presente, a fim de interpretar o idiota em um mundo negativo. De uma combinação pode-se então também fazer um macacão. Isso significa que o tecido (Nylon) do futuro se torna o tecido (Linho) para o presente destruído. A menina que se formou em torno de sua Tortura nunca mais será apenas superficial. O enclave da consciência é rompido e liberado para a interação (incendiária) com a Paranoia. Um ponto final nas relações com a Realidade, esse blá-blá-blá sobre aranhas e ratos. Liberdade agora é um modelo de pensamento e mais nada!
A Linguagem existe em duplicado, ela é o Fictício como o Consciente. Ela é o Informe, no qual todas as formas estão contidas. Ela é tanto intrapsíquica quanto metafísica e assume a imagem que se faz dela. Ela é Expressão, Descrição como também Observação, mas também é Influência, Referência e um Espaço de Pensamento. Ela é Mundo Interior e Exterior, Ficção Científica e Realidade, mas apenas na medida em que é palpável (legível, rastreável) e uma Reprodução de pinturas da Inteligência que nós admitimos e apreendemos.
Este "Extraterrestre", do qual falam os Astrônomos e Viajantes do Tempo, tornar tangível (e, portanto, acessível) é dado apenas à Linguagem, que carrega o Universo dentro de si. A Linguagem é, portanto, basicamente o Mundo, no qual nós vivemos e existimos. A Linguagem possui, portanto, o Culto (como ação) de todas as Religiões.
No Culto da Linguagem e através dela é que o Cosmos se revela. A Linguagem é o Cosmos e o Cosmos é a Linguagem.
(Seus Dialetos e Gírias são as Galáxias). Outros meios de domínio (no pensamento) do Universo sempre nos faltarão. Isso é bom. Pode-se perder-se nela e também reencontrar-se. Afinal, ela é o que pensamos e transformamos em imagens. Ela é a função da sobreposição de diferentes camadas de Realidades, que pertencem todas a um único efeito determinante sobre a Psique, a Physis e o Tempo, nomeadamente a Realidade Absoluta. E a altura espiritual absoluta no ser humano é aquilo que ele sonha, pensa e transmite linguística,...


...ou seja, comunicativamente, essas percepções do Absoluto. Através desta Linguagem entendida, é preciso decompor, substituir, espiritualizar, aproveitar, dispor, perceber, atualizar, conectar, prosseguir, exigir etc., ou seja, fazer tudo o que começa com os prefixos Zer-, ver-, er- e an-. É preciso viver na Linguagem, para nela poder encontrar a Morte. Muitos, no entanto, a utilizam apenas para não terem mais que gesticular. Quando UM em seu mais recente, ainda não publicado, manuscrito "Sentimentos de Corpo Estranho" escreve: "A nova lírica alemã é a forma popular de autopiedade", ele realmente se posiciona na cena literária, na situação atual dos autores de especulação e suposição, de que a vida é como a gente se sente, ou seja, como as pessoas se sentem. O poder de decomposição da Linguagem, de impedir a Ficção, atua, portanto, sobre essas pessoas, que sempre abordam apenas um tema, a saber, o "Cu do Amor" [Arschloch der Liebe] e aquelas que caem dele, para acordarem novamente em um pacote [Bündel]. "Só quando a nuca está limpa de sexo, a Puberdade é vivida". Ora, UM também precisou primeiro encontrar essa frase. O Amor só existe uma vez a cada momento e possui seu magnetismo (atração) nos grandes olhos (o que significa Abertura) das meninas.
Para mim, UM [Uwe Morawetz] já aos 16 anos, quando ele escreve pela primeira vez sobre e em torno de UM, é um poeta penetrante que também tem algo a dizer. Talvez justamente por isso, porque ele é sempre autobiográfico e assim inclui o mundo, sem sequer abandonar o elemento desse Exhibitionismo. O título/capa homófilo (hermafrodita) de UM também combina com esta entrada séria na orgia de catástrofes da existência humana (ou do jogo), sobrecarregada pela completa escuridão para ver algo nela (ou sequer poder ver). UM não é nenhuma lírica de jeans desbotado e nem equilibrismo no varal para roupas de discoteca, como tantos literatos carimbados na inconsciência da sociedade abastada. Este recolhimento no bar superlotado da vida, mostram também as seguintes frases, que eu seleciono aleatoriamente do volume UM. "A vida começa com o Amor..." Comentário do Autor: Nisso UM está, naturalmente, enganado como todos os jovens de 16 anos, pois a vida começa com a Morte. E mesmo que assim seja, a vida começa com um ato sexual de procriação. Cada fase da vida, uma morte parcial, deixa mais detritos do que perspectivas de futuro. "Deus é a vida do ser humano..." Comentário do Autor: Uma sábia observação de UM, pois ela diz que nós somos "Deus".
"Nós suprimimos a vida com a Morte..." Comentário do Autor: Isso, é claro, também pode ser visto ao contrário: Nós suprimimos a Morte com a Vida — pois, quem ainda atribui tanta importância à Morte quanto à Vida, isso já é provado pelas sepulturas vazias, que erigimos para nós (e para Você). Para aqueles arqueólogos que um dia escavarem essas sepulturas, nossa era no estudo do século XXI (sem oferendas funerárias) será classificada como "sem além" [jenseitslos], caso consigam encontrar ossos nelas. Nunca as sepulturas estiveram em pior situação do que as nossas: por cima de tudo, por dentro, absolutamente nada. Os mortos estão indistintos e com eles sua vida, que de qualquer forma não valia nada.
"Eu quero amar quem eu quiser, não quem eu devo! Como isso pode dar certo? Algo está no caminho? Sim! Mas por quê..." Comentário do Autor: Aforismos sempre contêm coisas que se quer reconhecer, mas não se vê. Fazer uma afirmação sobre esse conhecimento está sempre ligado ao fato de que também se quer FORÇÁ-LO A APARECER PELA VISÃO [HERBEISEHEN, trazê-lo à existência através do olhar/vontade]. São Explicações que sempre têm a aparência de uma...

...resposta, mas apesar desse controle permanecem como Pergunta. O Clérigo finalmente renuncia ao Altar e deixa-se crucificar. Com isso, a fé na dor no ser humano tornou-se dor.
"Basta-me/ ser visto por uma pessoa,/ a ponto de mil pessoas me verem/ e, ainda assim, não me enxergarem./"
"Haxixe abre algo lá em cima/ enquanto álcool fecha algo" UM: "Seres humanos, nós já não somos há muito tempo..."
Declaração UM Declaração, como no mundo de um Samurai, que já teve que testemunhar muitas vezes como seus melhores amigos se consumavam em Harakiri diante de seus olhos. Nós circundamos o globo terrestre com uma única frase nos lábios e na memória "Tudo uma merda no Camboja" [Alles Scheiße in Kambodscha], e nós espalhamos, por meio disso, também uma mensagem sobre a Vida. Nomes de países e cidades podem ser trocados e substituídos à vontade: contanto que se veja uma propaganda de Coca-Cola, sabe-se que ainda se está na Terra e é preciso pagar por isso. E o Sol permanece no deserto.
Este projeto singular, de dar um fim operacional à Vida, mas não conseguir, expulsa todo Samurai fanático e com ele sua Gueixa do Xintoísmo de sua religião. High Kuh & Zer Ruh, correspondem aos Caminhos da Serpente dos pensamentos que não sabem onde devem terminar. O mesmo se aplica aos Aforismos, que na passagem da alma [Seelentrakt] das circunvoluções cerebrais controlam os movimentos do compromisso da bússola dos ganhos entre as capas dos livros e, finalmente, também descarregam e falham nos suportes de memória. UM é este, que coloca seus próprios alvos e deixa atirar, atirar, atirar... A Última Vez.
"Alguns morrem mais cedo/ outros também/ só que de forma diferente/ inconsciente/ mais cruel/ durante o tempo de sua vida."

"... eu venho e/ vou te provar,/ que eu também sou alguém,/ não apenas você, Madame.”
”Vocês se chamam Grupo,/ mas cada um está sozinho/ por si,/ Grupo é apenas um disfarce./ Tenta-se/ esconder-se,/ e, no entanto, é-se sempre reconhecido."
"Não se trata/ de melhor ou pior/ trata-se/ de ser,”
"Ódio é/ apenas uma outra, mais honesta forma de/ Amor,"
"É preciso primeiro destrancar a pessoa/ antes que se possa habitar nela./ Muitas vezes falta a chave certa/ ou não se a encontra/ porque existem infinitas."
"Os sentimentos sexuais de uma pessoa/ oscilam entre os polos da Heterossexualidade/ e da Homossexualidade,/ mas eles nunca se fixam./ Heterossexualidade e Homossexualidade formam/ a moldura do mundo inteiro de sentimentos/ da pessoa. Entre estes dois/ limites se estabelece a área de sentimento/ do indivíduo. Esta/ área se desloca repetidamente ao longo de uma/ vida, ela não é fixa,/ muda constantemente, muitas vezes inconscientemente,/ às vezes mais voltada para um limite,/ às vezes mais para o outro./ Decisivas para isso são as próprias experiências/ com diferentes pessoas.”
"Eu me agarro/ a mim mesmo/ e assim caio sempre mais fundo/ para dentro de mim.”
"Às vezes eu encontro pessoas/ que me parecem humanas/ mas o que são as pessoas..."
"Minha cabeça está cheia de delírios/ só não consigo vivê-los./ Que pena,”
"Não tenho mais vontade de pensar/ estou farto de pensar/ e continuo pensando."
"Você é tão bonita/ e eu adoraria te devorar./ Só me sinto mal com o 'recheio'."
"Alcançamos um pouquinho/ de aproximação,/ com pequenos passos/ nos esgueiramos um em direção ao outro/"


"E, no entanto,/ permanecemos parados em nós mesmos,/ ao nos aproximarmos,/ ao mesmo tempo nos afastamos."
"Quanto mais amigos se tem/ menos se tem.”
"É tão bom/ poder dormir./ Quão bom deve ser ainda/ dormir para sempre."
"Não importa tanto/ o que se vive,/ mas sim como se vive."
”Eu, por minha parte, tenho/ uma confiança infinita/ na morte.”
A entrada de UM no pensamento a ser registrado é apenas um fragmento do que ele realmente é capaz. É precisamente apenas uma entrada, uma primeira coleta de evidências que, afinal, compreende 297 páginas de conteúdo (textos dos anos 1982/83). Que isso seja assim e que ainda se possa esperar muito de UM, prova seu segundo livro, entretanto publicado: "DIÁRIO DE UM SONHO — Pensamentos sobre um relacionamento convulsivo”.
Como a vida não permanece imóvel como uma estátua de mármore num pedestal para turistas, este livro é, naturalmente, mais maduro, embora UM [Uwe Morawetz] já pareça muito sensato. Com os "doces e pequenos 16" diz-se "assim poderia ser" e aos 30 "assim é". Não se fica mais trêmulo ao fazer análises fotográficas, mas sim permanece-se ali como um obelisco antigo de uma pré-história pavorosa, no qual as mais terríveis imagens em relevo do primeiro terço da vida foram gravadas como que por uma mão fantasmagórica. Fica-se por ali como a inútil Porta de Saint-Denis em Paris.
Deve-se lutar por cada declaração, isso é tão racionado quanto as porções diárias de comida nas prisões da Alemanha Ocidental, onde piadas circulam entre as refeições repugnantes, como esta aqui: "O que pesa tanto quanto um peru? – Um detento na penitenciária de Regensburg." Quem ou o quê ainda pode se afirmar sob a guilhotina do carrasco?
A mendicância pelo amor nunca deixará de beijar pés sujos. (O bobo da corte curvou-se cada vez mais profundamente diante da princesa de beleza feérica, até que sua cabeça bateu contra o chão real da sala do trono e se estilhaçou). Agora você também sabe o que é o amor, meu gnomo. Uma crueldade que destruiu o castelinho da elfa feito de Amanita virosa-Amanita phalloides-Gyromitra esculenta-Amanita pantherina-Inocybe patouillardi-Boletus satanas-Amanita muscaria-Russula emetica. Essas elfas, que gostam de esfregar seus belos e delicados corpos com o suco da Atropa belladonna, da Solanum nigrum ou da Solanum dulcamara, há muito tempo já não determinam o pensamento dos coletores de cogumelos do Ocidente de camiseta e pergaminho.
Como a vida não permanece imóvel como uma estátua de mármore em um pedestal para turistas, este livro é, naturalmente, mais maduro, embora UM [Uwe Morawetz] já pareça muito sensato. Aos "doces 16 anos" diz-se "assim poderia ser" e aos 30 "assim é". Não se fica mais trêmulo ao fazer análises fotográficas, mas sim permanece-se ali como um obelisco antigo de uma pré-história pavorosa, no qual as mais terríveis imagens em relevo do primeiro terço da vida foram gravadas como que por uma mão fantasmagórica. Fica-se por ali como a inútil Porta de Saint-Denis em Paris. Deve-se lutar por cada declaração, isso é tão racionado quanto as porções diárias de comida nas prisões da Alemanha Ocidental, onde piadas circulam entre as refeições repugnantes, como esta aqui: "O que pesa tanto quanto um peru? – Um detento na penitenciária de Regensburg". Quem ou o quê ainda pode se afirmar sob a guilhotina do carrasco? A mendicância pelo amor nunca deixará de beijar pés sujos. (O bobo da corte curvou-se cada vez mais profundamente diante da princesa de beleza feérica, até que sua cabeça bateu contra o chão real da sala do trono e se estilhaçou). Agora você também sabe o que é o amor, meu gnomo. Uma crueldade que destruiu o castelinho da elfa feito de *Amanita virosa*, *Amanita phalloides*, *Gyromitra esculenta*, *Amanita pantherina*, *Inocybe patouillardi*, *Boletus satanas*, *Amanita muscaria* e *Russula emetica* [fungos venenosos]. Estas elfas, que gostam de esfregar seus belos e delicados corpos com o suco da *Atropa belladonna*, da *Solanum nigrum* ou da *Solanum dulcamara* [plantas tóxicas], há muito tempo já não determinam o pensamento dos coletores de cogumelos do Ocidente de camiseta e pergaminho. Sempre que vejo uma garota bonita, tudo se torna feérico. É uma pena a moralidade do jaguar em não querer transar com a preguiça-gigante. Na tela da outra consciência: a idiota da TV Sabine Lallinger, que deseja a nós, trabalhadores da construção civil no "faz-te-de-bobo", um bom fim de semana. E a fracassada Ramona Leiß tem algo de tão indecente em si, como se estivesse se masturbando secretamente debaixo da mesa da televisão.
Diário de um Sonho" é a declaração contínua sobre uma construção de valores e relacionamentos humanos, a visão de mundo expandida no opositor da Ambi-WAA (o ser humano) UM [Uwe Morawetz], com a prontidão e o talento filosófico de confessar-se — especificamente ao irracionalismo e à psicoterapia da guerra interior que destrói a vida em busca de certeza e confiança. Uma forma consciente de pensar, de ainda não ser nem perdedor nem vencedor nesta jornada de "suor do pensamento", que se forma ao percorrer repetidamente as mesmas ruas, de cima a baixo, ou seja, sem nunca ter ouvido um tiro de largada ou um "fim"
Continuamos correndo em ordens erradas e em direção à castração do egotismo. Uma linguagem clara, um diálogo com o maculado, justamente um diário conectado com a visão das pessoas (em todas as direções da cabeça). Ele escreve sobre si mesmo para, com isso, expor os outros, para iniciá-los no espartilho que torna os Sex Pistols mais atraentes.
"Fomos todos educados de forma errada!/ Quantas vezes os pais deveriam estar atrás das grades!/ Só porque tiveram o prazer evidente da procriação,/ eles também acham/ que podem te exibir no peito como uma cópia deles."
"Eu adoraria me ligar uma vez!/ A curiosidade me pegou,/ sede e desejo por mim mesmo./ Eu gostaria muito de fazer o meu conhecimento uma vez,/ de me conhecer melhor."
"Pessoas que buscam/ vivem perigosamente."
"Você vê o ser humano/ como você quer vê-lo./ O que lhe desagrada em si mesmo,/ agrada-lhe ainda menos nos outros./ Você não os entende,/ porque você é um enigma para si mesmo."
"Cada ser humano encontra em si mesmo vestígios do outro."
"Um sonho/ torna-se realidade/ ao permanecer o que é:/ um trauma."
"Como você é bonita!/ Mas amar você apenas por isso? –/ decididamente pouco!/ Mas para o começo, basta."
"Inalcançável significa possuir./ Mas o que significa possuir? –"
"O mais forte em um relacionamento/ é sempre aquele/ que ama menos./ Ele se constrói/ destruindo o outro."
As primeiras percepções e visões sempre determinam o cocho no qual se enfia o focinho literário em busca de alimento. Alimento para o cérebro: por isso, os peixes sensíveis são também os primeiros a morrer nas águas da diversidade da vida e da multiplicação das perplexidades.
"As feridas estão abertas/ elas ardem/ eu grito de dor. Você tapa os ouvidos/ não quer me ouvir."
"Às vezes/ tem-se realmente a necessidade da morte."
"Talvez se devesse/ confiar primeiro no espiritual,/ antes de se expor ao físico./ Perde-se menos com isso."
"Sentimentos/ que não se expressam/ não são esquecidos."
"De tanto preconceito/ não vemos mais o nosso mundo!"
"Sexualidade acumulada/ não precisa se descarregar no caos./ Ela pode se transformar –/ ainda que após muito tempo."
Estes aforismos — pois, estilisticamente falando, não são poemas — surgiram entre junho de 1983 e agosto de 1984, e possuem o peso da lógica de identificar em outros partes de si mesmo, por mais estranhas que pareçam, e de expandi-las através da distância entre o Superego [Über-ICH] e o TU/VOCÊ, como um cobertor onde ambos (TU e EU) podem ter lugar. Diálogos à beira do abismo, para trazer de volta com palavras aquele que não vê saída, justamente do último ponto onde ele se encontra e prepara seu colapso.
A viagem de UM [Uwe Morawetz] aos EUA em 1985 e seu encontro com diversos autores americanos, naturalmente, também afetou sua linguagem (positivamente), desestruturando-a e, por fim, expandindo-a.
Em certas partes, seus textos possuem agora também a "forma americanizada do surrealismo", ou seja, elementos de uma fantasia perversa que a literatura New Underground produz. Já o "prefácio" de seu volume "Fremdkörpergefühle" [Sentimentos de Corpos Estranhos]...


sublinha essa intenção de escrever de forma "interiorizada", ou seja, para ser interpretado rapidamente, e isso significa: para chocar: "Como o autor não conseguiu se decidir por uma seleção literária, os textos deste livro foram deixados ao acaso." Eles foram literariamente sorteados por uma prostituta neutra do enésimo distrito de Hamburgo.”
E agora, também para a breve biografia:
"Uwe Morawetz, desumbilicado em 1964, ainda vive na Alemanha Ocidental. Escapa de sua família em 1982, após o que sua mãe quer se jogar com o carro contra uma árvore, o que lhe fracassa porque ela ama seu filho afinal mais do que a árvore ou seu carro. Ganha seu dinheiro como menino de coro de catedral, modelo de pornografia e prostituto. Publica como estudante, em 1983, seu primeiro volume de poemas 'UM', após o qual suas notas de alemão caem e seu pai morre. Depois disso, textos em diversos jornais (internacionais), revistas, antologias e no rádio; prefácios para vários livros, membro de associações de autores e sociedades literárias, VS Hessen 1985, prêmio de reconhecimento no 'Concurso de Escrita para Jovens' do Ministério da Educação e Ciência de Baden-Württemberg. Em 1985, aparece seu 'DIÁRIO DE UM SONHO — PENSAMENTOS SOBRE UM RELACIONAMENTO CONVULSIVO' com a colaboração de Hermann van Veen, Bettina Wegner e BAP. Seus poemas são traduzidos para o inglês. Consome algumas de suas células hepáticas com Bukowski, Warhol, Smith (Patti) e Anderson na América do Norte, para onde ele não quer retornar tão cedo. Mantém desde 1983 sua própria editora, que está sempre aberta para bons manuscritos, dos quais existem poucos demais. Desde 1985 é editor em uma pequena editora em Frankfurt/M. Estudos de Filosofia, Pedagogia, Germanística, Teatrologia e Estudos Americanos em Freiburg/Br., Frankfurt/M. e Berlim. Não deseja nada mais fervorosamente do que ser uma mulher. No final de 1986, será publicado "QUANDO LEONARD COHEN SERÁ FINALMENTE MORTO A TIROS?"

E para garantir um final desconexo, ainda o seguinte: Minha única posse é uma palma da mão estendida, incerta por esmolas. Pendurado na estrutura das cidades... Vestido, meio nu e nu – nesses certos estados desenrola-se a vida dos desumanos. Você é, portanto, prostituído o suficiente para compartilhar a cama meretrícia com o Eros falso. O desastre do império europeu reside também no fato de que as pessoas se voltam para os mares como sapos para um pântano, para ali se acasalarem e desovarem. Esse acampar nas praias equivale, em cada caso, a uma expulsão das áreas florestais do cérebro. O banho de nuca [nudismo] mostra então também o limite da pobreza das vadias alemãs em termos de cultura e das necessidades dos olhos de se disfarçarem. Deita-se na costa e torna-se areia fina para as engrenagens, que de repente param e se escancaram como a Fenda do Atlântico na consciência do mundo extraterrestre.


IKARUS
Revista de Arte e Literatura

IKARUS — A Revista de Arte e Literatura — busca constantemente autores de todos os estilos que queiram ver seus textos (poesia, prosa, fábulas, novelas curtas, histórias de fantasia...) publicados na IKARUS. Além disso, procuram-se desenhistas que queiram colocar seu traço a serviço da IKARUS. Enviem cópias de seus manuscritos e desenhos para a IKARUS.

A IKARUS traz em suas edições semestrais poesia e prosa de muitos autores diferentes, muitos desenhos, críticas de cinema, entrevistas com bandas que possuem letras líricas, retratos de autores e artistas, bem como colunas dos membros da redação.

A partir do nº 3, a IKARUS será publicada semestralmente, com um volume de 60 a 80 páginas em formato A5 e uma tiragem de 400 exemplares.

Edições publicadas até o momento: IKARUS nº 1, Junho de 87 — 64 páginas A5, 3 marcos (DM) incluindo postagem. IKARUS nº 2, Dezembro de 87 — 100 páginas A5, 4 marcos (DM) mais postagem.

Os preços dos anúncios são os seguintes: Verso e penúltima página: 35 marcos cada. Página inteira: 25 marcos; meia página: 15 marcos. 1/4 de página: 10 marcos.

Distribuição e recebimento de manuscritos: Stefan Schulz-Hardt, Kolonnenweg 8, 2300 Kiel 1.

Recebimento de anúncios, manuscritos e desenhos: Jens Neumann, Spielbergstr. 27, 6501 Stad.-Eisheim 2.

Editor e recebimento de manuscritos: Helmut von Bohr, Hauptstr. 28, 6551 Boos.


Rockaway!

Discos
Camisetas 
Shows 
Hirschstr. 3
7320 Göppingen 10 
Tel.: (07161) 23644

Edição
de 
MAIO 
88:

Beba, Lute e Foda Com 
GG ALLIN & The 
SCUMFUCS

The Flowers of Romance

ROCK DE BANHEIRO 
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em quatro cores, impressão opcional em verde-sapo ou 
neon) ...... disponível em M, G, GG como todas as camisetas / 14 Marcos (DM)
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do ensino médio por aqui?!) ... estampa igual à da camiseta, sapo em verde brilhan-
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MAIS CAMISETAS

Circle Jerks (preto/vermelho no branco) ......... 14 Marcos (DM) Schließmuskel (preto/vermelho no branco) ........ 14 Marcos (DM) Frohlix - Lindenstraße (em verde-vômito/amarelo-neon) .. 14 Marcos (DM) So Much Hate (Capa do LP, frente e verso em preto no branco) ..... TODAS AS CAMISETAS 100% Algodão ........... 14 Marcos (DM) The Three Stooges [Os Três Patetas] (famosas personalidades da TV) .. 14 Marcos (DM)

PREÇOS DE LPs — GOLPES BAIXOS

Andi Sex Gang – Blind ............. 13 Marcos (DM) Blumen ohne Duft – Bedrock Massacre (Punk'n'Roll, lixo de quadrinhos, sei lá o quê) .......... 15 Marcos (DM) Members — Chelsea Nightclub (Punk rock maravilhoso) Jingo de Lunch – Perpetuum Mobile EA 80 – Mehr Schreie [Mais Gritos] Ewings – It Hurts 13 Marcos (DM) cada

Envio mediante pagamento antecipado (+ 3 DM de postagem) ou contra entrega (cobrança no ato). Todas as transferências e cheques para a conta de Martin Fleischner, nº 1120 78-706 PSchA Stuttgart (BLZ 600 100 70). LISTA ATUALIZADA mensalmente mediante 50 Pfennig de selo de retorno.

MAISEKRAUT & SHOWS

88 pode não ser 77, mas haverá uma nova [edição da] NICE&LOUD a partir de 1º de junho ||| Formato DIN A4 sem pretensões vanguardistas, com perversões, situações embaraçosas, peristaltismo, punk rock e assuntos privados, tudo lindamente ilustrado por Petramöbe.

NOITES DA CIDADE DO ASSASSINATO

Shows no "Junktreff" Club REMISE, em Göppingen, em maio: 19/05 às 20h30 – THE POSERS (Glamrock) 20/05 às 20h30 – NEGAZIONE + DEATH IN ACTION (Massacre Thrash, Mal ao Vivo) 21/05 às 20h30 – PARISH GARDEN (Som Mod ao Beat HUMANO) BURN MY EYE 28/05 às 20h00 – RICH KIDS ON LSD + UNWANTED YOUTH na Casa da Juventude (Jugendhaus) Geislingen/Steige, Schulstr. 26. (07331/44801)

CENTRO CULTURAL E JUVENIL 
CLUB REMISE 
Rua Friedrich Ebert, 2 
7320 GÖPPINGEN 
Telefone (07161) 70234


SCHMELZ DAHIN / Filme Super 8 & Performance // 28/03 Casino

"Encontramo-nos em um submarino dentro de uma centrífuga. Uma expedição de pesquisa cuja missão, por sorte, esquecemos.

A navegação é feita com sentimento, o bater das ondas e um pensamento intenso e intermitente!" — Introdução ao programa.

O grupo de cinema experimental de Bonn já existe há cerca de dez anos. Já em novembro do ano passado, seus filmes foram exibidos em um evento no Casino, em Stuttgart. Desta vez, o SCHMELZ DAHIN realiza uma performance de seu trabalho ao vivo no local.

Um antigo rolo de filme (Os Canhões de Navarone) é passado pelo ácido, tingido, riscado e projetado na parede.

Comentário dos projecionistas: "É preciso apenas deixar o filme agir sobre você e não perguntar por um sentido. O que importa é o impacto das imagens."

Em seguida, são exibidos os curtas-metragens dos últimos 5 anos. A música aparece apenas de forma rudimentar, com trombone ou como som original deturpado.

Quanto à impressão geral, gostei particularmente das cenas com animais como atores. Por exemplo: a libélula cantora, o casamento de uma vaca, o Mestre Galo e o besouro em um monte de esterco.

Contato: SCHMELZ DAHIN, Jürgen Reble, Clemensstr. 36a

5300 Bonn.


RRR
RRRecords
151 PAIGE STREET
LOWELL, MA 01852 USA

BOY DIRT CAR   MERZBOW   BLACKHOUSE
MASTER/SLAVE   RELATIONSHIP   SMERSH
SLEEP   CHAMBER   WOMEN OF THE SS
P16.D4   ESPLENDOR GEOMETRICO   PGR
VIVENZA   ETANT DONNES   CURRENT 93
NURSE WITH WOUND   HAFLER    TRIO
UN DRAME MUSICAL INSTANTANE   HNAS
AMOR FATI   BORBETOMAGUS   HATERS
MOSLANG/GUHL   SMECMA   MUSLIMGAUZE
JOHN WIGGINS   CONTROLLED BLEEDING
PSYCLONES/SCHLAFENGARTEM   P231
DUE PROCESS   BRUITISTE   TESTMIM

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RESENHAS:_______________________

The ABS: Turbosphincter - 12" com 4 faixas 
(Gravadora: Vinyl Solution / Efa)

A capa é preta e amarela — então é Punk? Sim, e inclusive bem convincente: forte, rápidooooo, hipermelódico e com 2 guitarras; talvez remotamente parecido com Peter and the Test Tube Babies?

Polymignit

ABWÄRTS: LP 
(Normal Rec)

Os dois primeiros LPs do Abwärts estavam à frente de seu tempo. Mas isso aqui... é simplesmente péssimo.

Pequeno órfão correndo 
pela neve ensanguentada

ART PHAC: LP 
(Wanghead (With Lips) Records)

Uma capa feita à mão e pintada com spray, com um adesivo que diz: "Música psicocountry-selvagem primitiva pelos 'Deuses do Grunge' de Detroit..." Punk de Neandertal? Vibrações simples vindas das garagens mais sujas, clavas de madeira desgastadas batendo em pratos semiquebrados, uma guitarra competente com aquele som de pântano, turvo e zumbido, semelhanças com Feedtime (incluindo riffs de slide!), uma homenagem aos Cramps ("Jungo Luv") e uma versão cover de "Hava Nagila" — sim, sim, aquela canção folclórica israelense que vocês talvez tenham cantado na escola antigamente; sim, sim, um bom disco.

Art & Language

BIG STICK: Crack Attack EP 12"
(Buy Our Records)

"Crack é o caminho para uma noite muito, muito ruim". Lado A: Hip-Hop de garagem, estilo Bowery [NYC], baixa tecnologia e baixa fidelidade (Lo-Fi). Lado B: Noise com realimentação (feedback) e ritmos tecnoides. Novo e bom, mas quantas vezes vou [realmente] parar para ouvir isso?

Jenny Holzer

Bourbonese Qualk-LP 

Um disco incrivelmente pesado e com uma coloração eletrônica muito forte. Às vezes, para o meu gosto, descamba demais para algo "discotecável", às vezes lembra Foetus/Wiseblood, ocasionalmente parece uma mutação eletrônica do Swans. Todas essas descrições não querem dizer que o som não seja autêntico; ele certamente é, só pela combinação melódica de elementos de sintetizador e bateria eletrônica, o que é especialmente notável na faixa "Obsession". Ocasionalmente muito monótono, ocasionalmente polido demais, ufa, o que mais posso dizer...? Existem gravações melhores do Bourbonese Qualk....

( New International Recordings)           (Kassi)

Boy Dirt Car: Winter-LP

Este disco se enquadra na categoria Noise-Art e não precisa necessariamente — e por favor, entendam isso sem juízo de valor — ser chamado de "música". Algumas passagens até contêm elementos rítmicos e quase melódicos, mas que logo são afogados em microfonia (feedback). É inútil discutir sobre esse tipo de nexo de ruídos: ou você aceita, ou não.
Quem aceita não ficará decepcionado, pois este grupo trabalha elementos que vão do Industrial até (quase) o Rock. Naturalmente, tudo submerso em um feedback extremo que vai do ronronar ao sibilar. Um grupo local chamado "Oil Blow", que vi recentemente em uma performance, trabalhava algo semelhante, embora o "BDC" não seja tão extremo.

O álbum é embalado em uma capa bruta, de aparência espartana, feita de papelão grosso e áspero com uma foto colada, o que já documenta o conteúdo visualmente de forma muito precisa. Quem aprecia esse tipo de excentricidade artística certamente estará bem servido.

(rrrecords, EUA) 
(Kassi)

Blue Movie: Milking the Masters Vol. 7 - LP

14 canções produzidas por Klaus Flouride, tocadas com destreza, que (quase) não deixam o tédio aparecer graças à sua oscilação de bom gosto entre o Pop ensolarado dos anos 60, algo voltado ao Rock'n'Roll, um Thrash polido e o Country no estilo Meat Puppets. Harmonias tradicionais, porém vigorosas — a vida flui, e sob chapéus de caubói e atrás de óculos escuros, a estrada se torna divertida. Assim como este disco. (Good Foot Rec) - Polykras

Controlled Bleeding: Songs from the Drain - LP

Um disco que levanta problemas e que dificilmente pode ser descrito em sua melancolia industrial frágil e excêntrica. E mesmo a descrição como "melancolia industrial" já é um absurdo, pois, como Paul Lemos disse em entrevista na PSR 2, o C.B. não faz Industrial — e nisso ele tem razão. Resta apenas a "melancolia", indescritível, entre um baixo estritamente rítmico que surge com força, uma linha de sintetizador suavemente atonal por cima, vocais que crescem de forma sacra e ocasionais inserções de sons metálicos (Stahleinlagen).
O Controlled Bleeding permaneceu fiel ao seu estilo peculiar e inimitável, mas sem nunca cair em uma rotina sem expressão. Este LP é o disco mais suave que já ouvi deles até agora. Destacam-se a (quase) dançante "Red Stigmata" e o épico muito calmo e envolvente "Music for Earth and Water", que se estende por mais de 10 minutos. O conjunto é arrematado pelas pinturas estéticas de Arthur Potter na capa, que são impressionantes apesar das cores bastante foscas. Uma das novidades mais harmoniosas (?) e interessantes dos últimos meses.

(Dossier Records Berlim) 
(Kassi)

COWS: Taint Pluribus Taint Unum LP
(Treehouse Rec)

Os Pagans estão na Treehouse Rec., mas os Cows combinariam muito mais com a Touch & Go. A capa faz malabarismo com as suas células cerebrais; a música exorbitantemente estragada e maluca é um amontoado de farrapos distorcidos ao estilo No Trend, Flipper, Butthole Surfers e Honeymoon Killers, com retalhos de saxofone quebradiços aqui e ali. O que sai daquela garganta rouca é igualmente e refrescantemente ferrado: "Peneira: Amor e felicidade / Trabalho e família / Morte e portões de pérola / Eu sou uma peneira." Motoristas bêbados, visitas a prostitutas, onanismo, "Mother (I love that bitch)", entre outros — portanto, quase (devido à monotonia parcialmente inerente ao estilo musical) recomendável sem restrições.

Matta




[TRADUÇÃO EM ANDAMENTO....]